• Cultura como motor de transformação: França e Brasil discutem caminhos para um desenvolvimento sustentável
    Jun 25 2026
    Como a cultura pode ser uma ferramenta de transformação durável? De que forma ela colabora para o desenvolvimento social, ambiental e econômico? Foi para responder a essas perguntas que pesquisadores, artistas, empresários e instituições associativas franco-brasileiras se reuniram, nesta quinta-feira (25), em um evento preparatório do Fórum do Amanhã, que acontece no final de setembro na capital francesa. Maria Paula Carvalho, de Paris Organizado pela associação “Os Aprendizes da Esperança” (Les Apprentis de l’Espérance), o encontro na Faculdade de Direito de Malakoff, na Grande Paris, permitiu uma troca de experiências de sucesso nos ramos da sustentabilidade, inovação tecnológica, turismo, patrimônio, ativismo e engajamento social. O painel foi aberto por representantes da CSSC, a rede Corporate Sustainability in Support of Culture, que tem como objetivo ajudar empresas a integrar a cultura e a diversidade cultural em suas estratégias de desenvolvimento suntentável. “Avaliamos que tipo de iniciativas a empresa adota para promover mais diversidade nas relações com os empregados, entre eles, e também como a empresa interage com a sociedade nesse aspecto cultural”, explica Lilian Hanania, advogada e professora, uma das fundadoras da CSSC. “A empresa tem ligações com comunidades locais? Influencia políticas públicas? Financia artistas ou a indústria criativa do local onde atua?”, questiona, apontando alguns padrões a serem medidos para a obtenção do selo IDC, que distingue empresas que integram a diversidade cultural em suas estratégias de sustentabilidade. “Ainda há poucas empresas que têm essa visão de que a cultura faz parte da sustentabilidade”, continua. “Hoje, temos duas empresas brasileiras que receberam esse selo: o escritório de advocacia Machado Meyer, com sede em São Paulo, e uma microempresa, a franquia de sorvetes Mister Mix”, de Mogi Guaçu, também em São Paulo, revela. Na França, uma das empresas que aceitaram o desafio de incluir a cultura em suas estratégias é a fabricante de pneus Michelin. “Existe essa preocupação aqui na França, mas o Brasil está em um momento particularmente favorável para discutir essas questões”, explicou Hanania, em entrevista à RFI. Cadeias de valor na Amazônia O engenheiro e consultor Tobia Ferraro atua em projetos de inovação social na Amazônia brasileira, com foco na estruturação de cadeias produtivas locais. Em Santarém, iniciativas desse tipo vêm organizando agricultores familiares e comunidades tradicionais em torno de cooperativas e pequenas agroindústrias, permitindo agregar valor à produção, como derivados da mandioca, frutas e produtos da floresta, e conectar essas cadeias ao mercado. “Um exemplo vem dos seringais do Pará, que decaíram muito e deixaram de ser competitivos em relação ao mercado asiático e mesmo à borracha plantada em São Paulo. Esse setor ficou dormente por muito tempo”, conta. Até que uma organização de Santarém, chamada Saúde e Alegria, retomou a produção com o uso de recursos do Fundo Amazônia, explica. “Hoje eles consolidam a borracha extraída pelos seringueiros do território e exploram cadeias de valor amazônicas, como sementes florestais, óleos e manteigas vegetais extraídos de frutos brasileiros”, completa. “É muito importante poder agregar valor a esse tipo de produto agroextrativista, que sustenta 400 famílias da região, espalhadas por 60 comunidades”, calcula. “Entre essas comunidades há quilombolas e indígenas, que têm uma riqueza cultural muito grande e que agora podem contar com geração de renda para prosperar”, comemora. Outros saberes A filósofa brasileira Caroline Isidoro Marinho trabalha na aproximação de diferentes tipos de saberes, como o acadêmico e o popular. Atualmente morando em Toulouse, no sul da França, ela estuda como facilitar o diálogo cultural por meio de ferramentas artísticas, da dança, da música e da oralidade. “Um dos pontos em comum entre Brasil e França são os afetos”, continua a pesquisadora, que na França se interessa especialmente pelo universo associativo. “A minha pesquisa investiga como a forte experiência francesa em trabalho associativo e comunitário pode se unir aos conhecimentos populares para facilitar o diálogo entre os dois países, dentro de práticas pedagógicas”, conclui. Literatura de Cordel como ferramenta de integração Já a francesa Sophie Foray encontrou na literatura de cordel uma ponte entre a educação no Brasil e na França. Ela promove intercâmbios entre alunos de escolas públicas dos dois países em torno desse tipo de poesia popular brasileira, muito ligada ao Nordeste, feita em versos rimados e tradicionalmente publicada em pequenos folhetos vendidos em feiras. “O Brasil ainda sofre com uma visão no exterior que é muito estereotipada, especialmente no que diz respeito às culturas do Nordeste”, afirma, em ...
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  • Eleições sob pressão: o avanço da desinformação e dos ataques cibernéticos
    Jun 24 2026
    Há mais de uma década, as chamadas ameaças híbridas deixaram de ser apenas um conceito acadêmico para se tornar uma realidade capaz de influenciar sociedades em todo o mundo. Entre os momentos mais vulneráveis a esse tipo de ação estão os períodos eleitorais. Segundo especialistas, os seis meses que antecedem um pleito concentram os maiores riscos de interferência no debate público e na confiança dos eleitores. Júlia Valente, Correspondente da RFI em Helsinque Em uma sociedade cada vez mais digital e interdependente, os conflitos também assumem novas formas. Não se trata mais apenas de bombardeios, invasões ou ataques militares convencionais. Ciberataques, campanhas de desinformação e pressões econômicas também podem ser utilizados para influenciar países e sociedades. Esse conjunto de estratégias é conhecido como ameaças híbridas, ações capazes de comprometer a estabilidade política, a segurança nacional e a economia de países em todo o mundo. Em Helsinque, na Finlândia, está localizada a sede do Centro Europeu de Excelência para o Combate às Ameaças Híbridas (Hybrid CoE). Criada em 2017 em parceria com a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em um contexto de crescente preocupação dos governos com o avanço desse tipo de ação, a instituição apoia seus 35 países membros com pesquisas, treinamentos e análises voltados à prevenção e ao combate dessas ameaças. Martha Turnbull, diretora da área de Influência Híbrida do Hybrid CoE, ressalta que um dos cenários que mais tem registrado o aumento de ameaças híbridas é o período eleitoral. “Vemos uma grande quantidade de desinformação nos cerca de seis meses que antecedem a eleição. Isso se encaixa em um padrão mais amplo que temos observado, no qual esses atores procuram minar a confiança do público no sistema eleitoral e no governo atual”, afirma. Turnbull explica que, à medida que a eleição se aproxima, essas atividades passam a se concentrar em partidos políticos e candidatos específicos, além de tentar desencorajar a participação dos eleitores. “Isso não termina no dia da eleição. Essas atividades continuam nas semanas seguintes, buscando desacreditar os resultados”, complementa. Não são apenas atores externos que impõem ameaças, mas também internos. “No contexto eleitoral atual, observamos que existe uma ligação entre ameaças externas e atores domésticos em muitos países", afirma Turnbull. "Em alguns casos, essa ligação é direta, quando o ator externo orienta diretamente grupos ou indivíduos que estão dentro do país realizando algum tipo de atividade. Em outros casos, a ligação não é tão clara, mas, de forma geral, o que estamos vendo é uma conexão cada vez maior entre esses atores”, diz a especialista. O principal alvo das ameaças híbridas durante períodos eleitorais são justamente os eleitores. Por isso, de acordo com o Hybrid CoE, combater esse fenômeno também envolve fortalecer a educação midiática da população, para que as pessoas consigam identificar e resistir à desinformação. IA muda o cenário das ameaças híbridas Além do cenário eleitoral, o avanço da inteligência artificial (IA) vem transformando a forma como ameaças híbridas são produzidas e combatidas. Segundo Turnbull, atores envolvidos nesse tipo de atividade utilizam modelos de linguagem e outras ferramentas de IA para ampliar sua capacidade de atuação, aumentar a escala das operações e acelerar respostas. “Isso, obviamente, é muito desafiador. Além disso, algumas dessas tecnologias tornam essas atividades muito mais difíceis de rastrear e, consequentemente, mais difíceis de atribuir responsabilidade e de responder a elas”, ressalta. Também existe, no entanto, um aspecto positivo. Governos e instituições vêm utilizando a IA para fortalecer sistemas de monitoramento e resposta a ameaças híbridas. O saldo dessa transformação, porém, ainda é incerto. “Acho que, neste momento, a balança ainda não pendeu claramente para um lado ou para o outro", avalia Turnbull. Europa vê Rússia como principal preocupação O Hybrid CoE está localizado em um ponto simbólico. Helsinque fica a menos de 200 quilômetros da fronteira com a Rússia, país apontado por especialistas como a principal fonte de ameaças híbridas ao continente europeu na última década. “Consideramos que a principal ameaça para a Europa vem da Rússia, mas também observamos o aumento de ameaças por parte do Irã e da China”, afirma Martha Turnbull. Desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, o Hybrid CoE afirma ter observado um aumento significativo das atividades relacionadas a ameaças híbridas. “Temos observado uma atividade concentrada, particularmente por parte da Rússia, no campo da desinformação, que busca enfraquecer o apoio à Ucrânia e minar a disposição do país de continuar lutando com o ...
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  • Paris abre suas ruas ao funk brasileiro e às cenas afro-europeias e indie na Festa da Música 2026
    Jun 20 2026
    Paris celebra neste domingo (21) a Festa da Música, evento gratuito que ocupa ruas, praças e espaços culturais com programação diversa e descentralizada, marcada nesta edição 2026 pela presença de culturas urbanas, cenas afro‑europeias e a já tradicional participação brasileira. Criada em 1982, a iniciativa mantém a proposta de transformar a cidade em palco aberto no início do verão europeu, sem concentração em um único espetáculo e com ampla circulação de público entre bairros. Neste domingo (21), Paris volta a organizar a Festa da Música, com uma programação que se espalha por toda a cidade e transforma o espaço urbano em um circuito contínuo de apresentações. O evento ocorre simultaneamente em diversos bairros, sem centralização, com acesso gratuito e livre circulação do público ao longo do dia e da noite. Criado em 1982, o evento ocorre sempre no início do verão no hemisfério norte e se baseia na ocupação simultânea de diferentes espaços urbanos. Ruas, praças, museus, igrejas e edifícios históricos recebem concertos e intervenções musicais ao longo do dia e da noite. Desde então, a festa se consolidou como uma das maiores manifestações culturais do país. Democratizar o acesso à música Mais de quatro décadas depois, o modelo permanece praticamente inalterado, sustentado pela ideia de democratizar o acesso à música ao vivo e integrar diferentes práticas culturais no espaço urbano. Concertos ocorrem em ambientes diversos, incluindo museus, igrejas e edifícios institucionais. A edição de 2026 confirma essa escala abrangente, com centenas de apresentações distribuídas entre ruas, parques, centros culturais e margens do Sena. A cidade se transforma em um grande palco aberto, com programação contínua ao longo do dia. A lógica do evento difere da adotada em grandes festivais comerciais. Não há hierarquia rígida entre atrações, nem um palco principal que concentre o público. Artistas emergentes e nomes mais conhecidos coexistem em condições semelhantes. A proposta segue centrada na democratização do acesso à música ao vivo. Artistas amadores e profissionais compartilham a programação espalhada pela capital francesa, em um formato que privilegia a circulação do público e a descoberta de apresentações fora dos circuitos tradicionais. Leia tambémParis vira “Coachella urbano” por uma noite na Festa da Música de 2025 Culturas urbanas e diásporas africanas A edição de 2026 se destaca pela presença ampliada de expressões ligadas às culturas urbanas e às diásporas africanas na Europa. No centro cultural La Place, em Châtelet, no coração de Paris, um encontro entre o coletivo parisiense AFRO LIVE e o londrino ADA Collective reúne artistas associados às cenas afro‑europeias contemporâneas. A programação evita a lógica de um espetáculo central. Em vez disso, privilegia a diversidade de formatos, com apresentações que vão da música eletrônica e afro a concertos em espaços históricos, além de festas de bairro e performances espontâneas. Projetos internacionais também integram a programação, aproximando artistas de diferentes regiões. Parcerias conectam cenas mediterrâneas e latino‑americanas, ampliando o intercâmbio cultural presente na festa. Leia tambémMais de 120 países comemoram Festa da Música nesta sexta-feira Funk brasileiro no Louvre? Um dos exemplos dessa convivência entre linguagens ocorre na igreja Saint‑Germain‑l’Auxerrois, em frente ao Louvre. Das 16h às 23h59, hora local, o espaço recebe o Baile da Euro, com apresentações de DJs e presença marcante do funk brasileiro. A utilização de um edifício histórico para música urbana contemporânea sintetiza a proposta de ressignificação dos espaços. A festa busca transformar temporariamente o uso dos locais, sem romper com seu valor patrimonial. A programação de 2026 também destaca iniciativas ligadas à cena independente e a projetos multidisciplinares. No bairro do Marais, o novíssimo espaço Sabiá Arte & Cultura reúne música, artes visuais e intervenções urbanas. Para Anderson Vital, também conhecido como DJ Sabiá, a iniciativa exigiu um set list caprichado. “Preparei um set com música brasileira, de São Paulo, de Adoniran Barbosa, até o carimbó do Pará, na voz de Eliana Pittman. Então vai ter samba, vai ter groove, vai ter tropicália, forró, carimbó, e algumas surpresas da variedade francesa”, disse à RFI. O espaço também recebe o coletivo Casa Moyo, voltado à promoção de artistas emergentes e à criação de projetos colaborativos. A organização define sua atuação como a construção de uma comunidade criativa baseada em encontros e experimentação artística. Segundo Julia Vital, cofundadora do centro cultural, os organizadores decidiram “[se] aproximar da Casa Moyo, que é um coletivo de artistas, uma casa criativa que gera uma comunidade artística. Esse coletivo ...
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  • Museu no sul da França abriga coleção excepcional da brasileira Cérès Franco
    Jun 18 2026
    A Cooperativa-Museu Cérès Franco, no sudoeste da França, abriga a coleção de arte única e excepcional da crítica de arte, curadora e galerista brasileira. Depois de três anos fechada para reforma, a instituição, instalada em uma antiga cooperativa vinícola de Montolieu, reabre a partir de 20 de junho. Adriana Brandão, enviada especial da RFI a Montolieu A gaúcha Cérès Franco (1926-2021) foi uma pioneira. Ela inovou a cena artística parisiense depois de se instalar na França nos anos 1950, inicialmente como crítica de arte. Ao organizar uma primeira exposição, em 1962, intitulada "L’oeil de Boeuf", ou Olho de Boi, ela pediu aos artistas que realizassem somente obras em formato redondo ou oval, rompendo com o padrão quadrado vigente e desafiando a estética burguesa. O princípio norteou o seu percurso. Em 1972, ela foi a primeira brasileira a abrir uma galeria de arte em Paris, batizada naturalmente de L’Oeil de Boeuf. Cérès Franco, que conhecia e frequentava todos os grandes artistas da época, de Picasso a Cocteau, defendia uma arte sem fronteiras. Ela também foi uma das primeiras a divulgar na França a arte bruta e naïf brasileira, na época ainda pouco conhecida e marginalizada. A galerista estabeleceu um diálogo entre artistas populares e autodidatas com as vanguardas artísticas do Brasil, da Europa e de outras regiões. Para o diretor da Cooperativa-Museu Cérès Franco, Maximilien Fortier, a “liberdade” define a singularidade da colecionadora brasileira. “O destino de Cérès Franco é particular e muito pessoal. Raramente uma pessoa na história da arte misturou tanto o pessoal e o profissional, especialmente no que diz respeito aos seus amigos, que eram quase todos artistas, para os quais ela solicitava produções com muita frequência. O que também é bastante original é o fato de ela apreciar muito a figuração, a cor e o aspecto internacional. Um termo que a define, e com o qual ela mesma se definia, é, acima de tudo, a liberdade”, afirma Fortier. Em 1995, a brasileira fechou a galeria em Paris e instalou sua vasta e singular coleção de arte moderna e contemporânea em duas casas em Lagrasse, no sudoeste da França, que abriu ao público. Seis anos antes de morrer, ela doou, em 2015, a coleção de 1763 quadros, de artistas de 39 nacionalidades, a Montolieu, um vilarejo de apenas 800 habitantes, mas com 16 livrarias, conhecido como cidade do livro e das artes. A coleção foi instalada em uma antiga cooperativa vinícola. O belo prédio, em estilo art déco, passou por reformas durante três anos para melhorar sua acessibilidade. Antes da reabertura, a instituição ganhou, em dezembro de 2025, o selo de Museu da França. “Integrar a grande rede dos 1.200 museus da França, presentes em todo o território francês, era algo que Cérès Franco desejava conceder à sua coleção para poder preservá-la, especialmente garantindo sua transmissão às gerações futuras”, salienta o diretor. “Temos também a missão de dinamizar a cultura no meio rural e mostrar que todas as nossas regiões possuem pequenos tesouros, como o nosso museu”, acrescenta. Duas exposições na reabertura A Cooperativa-Museu Cérès Franco reabre com duas exposições. A mais importante delas, “Les aventuriers de l’oeil-de-boeuf” ou Os aventureiros do Olho de Boi, reúne 185 obras, de 100 artistas, para retraçar parte de seu percurso e homenagear a colecionadora brasileira. “'Les aventuriers de l’œil-de-bœuf' é uma exposição que reconstrói a trajetória de Cérès Franco entre 1962 e 1972, ou seja, o período em que ela foi curadora e em que vemos que, partindo da crítica de arte e da escrita, ela acabará se tornando galerista”, explica Maximilien Fortier. Artistas de 25 nacionalidades estão representados nessa primeira mostra, entre eles cerca de vinte artistas de origem brasileira. “Essa é uma característica da Cérès Franco, que expôs bastante a arte naïf brasileira e buscou, por meio do 'L’œil de bœuf' e de diversas outras exposições, valorizar as obras de seu país natal”, detalha o diretor do museu. Entre os brasileiros expostos ou que integram a coleção estão Frans Krajcberg, Flávio Shiró, Waldomiro de Deus, Eli Heil, Pedro Paulo Leal e Gontran Netto, que fez o retrato de Cérès Franco no círculo central da bandeira do Brasil. Gontran era um exilado político brasileiro e, assim como ele, outros artistas refugiados da América do Sul ou da Europa do Leste também integram a coleção eclética de Cérès Franco. “Corneille, Chaïbia, Cérès Franco des poèmes pour le monde” ou poemas para o mundo é a segunda exposição montada para a reabertura da Cooperativa-Museu de Montolieu. Desconhecida no Brasil "Estou bastante surpresa e bastante feliz com essa visita", comentou a jornalista brasileira e editora da revista francesa "Beaux Arts" Débora Bertol, que não conhecia muito bem o trabalho de Cérès ...
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  • Na Eurosatory, indústria de defesa brasileira busca espaço em mercado em expansão
    Jun 17 2026
    Armas, munições, veículos blindados e drones. Em um momento de aumento dos gastos militares e de intensificação das tensões internacionais, a Eurosatory 2026 reúne em Villepinte, na Grande Paris, um dos maiores encontros da indústria de defesa do mundo. Ao circular pelos pavilhões do evento, não é difícil imaginar como é o front. Maria Paula Carvalho, da RFI Em um cenário internacional cada vez mais tenso, países ampliam investimentos em defesa sob o argumento de garantir a paz, impulsionando um mercado em plena expansão. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), os gastos militares globais atingiram 2,7 trilhões de dólares em 2024, o maior valor já registrado, com aumento de 9,4% em relação ao ano anterior. A Eurosatory coincide com a cúpula do G7 na França, que reúne líderes mundiais, incluindo Donald Trump, para discutir os principais conflitos internacionais. "Os gastos e os orçamentos estão aumentando significativamente em todos os países, principalmente na União Europeia. Isso é o que eu chamo de oportunidade", analisou em entrevista à RFI o secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa brasileiro, tenente-brigadeiro Heraldo Luiz Rodrigues, que veio a Paris participar da Eurosatory. O Brasil marca presença, ele destaca. "São 24 empresas brasileiras de defesa expondo nesta feira, que é gigante — talvez a maior do mundo nessa área — e tenho certeza de que vamos fazer bonito e ter resultados expressivos." O setor já movimenta cifras relevantes para o país. "Nós temos muita capacidade, muita tecnologia, empresas excelentes para produção de armamento. Temos cerca de US$ 4 bilhões em exportações por ano — não é uma coisa trivial — e esperamos aumentar esse volume com o passar do tempo", completou. "A indústria de defesa brasileira está preparada para acompanhar esse aumento da produção global," concluiu o tenente-brigadeiro Heraldo Luiz Rodrigues. Com mais de 2 mil expositores de 65 países, a Eurosatory reúne o que há de mais avançado em tecnologia militar. Até sexta-feira (19), empresas e delegações buscam ampliar contatos e fechar negócios. "Ver e ser visto" Entre os brasileiros, a Cinadra aposta na internacionalização. A empresa fabrica componentes para bombas e munições e atua nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. O CEO Marcello de Brito Meira destaca a importância da visibilidade no evento: "É o famoso ver e ser visto, num mercado global. O Brasil já foi um grande player e está voltando a se projetar nesse mercado. Então, para a gente, estar aqui é muito importante." Ele ressalta o modelo de atuação da companhia: "Nós fabricamos no Brasil componentes para bombas, munições de artilharia, infantaria e carros de combate, tudo exportado para o mundo, tecnologia brasileira." E completa: "Vendendo componentes, eu tenho acesso a mais mercados. Eu não sou competidor de ninguém, então consigo fornecer para várias empresas da mesma área." O coronel Antônio Ribeiro, diretor de promoção comercial da Abimde — a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança — afirma que as empresas vêm à feira em busca de diferentes oportunidades: contratos, novos fornecedores, representantes comerciais no exterior e também para fazer benchmarking de seus produtos, avaliando se estão alinhados com a demanda do mercado. "A França é um ponto de encontro. Iremos receber aqui delegações da África, da Ásia e até da América do Sul", completa. "Não somente a França, mas todo esse entorno geográfico acaba refletindo e ressentindo essa movimentação política e geopolítica que a Europa está vivendo, desde o conflito na Ucrânia até essa mudança de postura de outros players. Há também a questão da migração descontrolada, que gera um problema não apenas de defesa, mas de segurança pública. Então, este é um local muito adequado para discutir todos esses aspectos", conclui. "Espaço Brasil" O Espaço Brasil reúne empresas de áreas como comunicação, comando e controle de drones, cibersegurança, engenharia de sistemas e suporte logístico. O estande conta com apoio também da ApexBrasil, agência de promoção de exportações. Para o especialista em negócios internacionais da entidade, Daniel Pirola, a feira tem alcance global: "É a principal feira da Europa. Daqui, a gente consegue vender não só para a Europa, mas também para o Oriente Médio e boa parte da Ásia. Esta feira é uma referência mundial e, para nós, é uma baita oportunidade." Ele destaca ainda o crescimento da participação brasileira: "Este ano, estamos batendo um recorde de expositores." E avalia o contexto internacional: "O mundo inteiro está se armando, isso já é um fato, e tem sido bom também para as empresas brasileiras de defesa." Segundo Pirola, o país oferece uma ampla gama de produtos: "Desde software de sistemas até ...
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  • Entre milagres e casamentos: a fascinante história de Santo Antônio
    Jun 12 2026
    Santo Antônio, um dos santos mais populares em Portugal, é comemorado de formas muito diferentes em todo o mundo neste mês de Junho. Do Brasil à Índia, do Timor a Macau, a devoção ao religioso foi difundida pelos portugueses. Conhecido como o santo casamenteiro, Santo Antônio é bastante celebrado no Brasil com encenações de casamentos, simpatias, bandeirinhas coloridas e comidas típicas. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa Basta entrar o mês de junho para que os brasileiros comecem a se programar para as tradicionais festas juninas. Nesta época, os arraiás se espalham por todo o país, de norte a sul, ganhando contornos e sabores regionais. Santo Antônio é o primeiro a ser homenageado, no sábado, 13 de junho, data em que é aberta a temporada dos festejos dos santos populares, que reúne milhões de pessoas e movimenta bilhões de reais, ficando atrás apenas do Natal e do Carnaval. São muitas as tradições ligadas ao religioso, e o “pão de Santo Antônio”, costume que vem da França do século XIX, é uma das mais populares em Portugal. O antropólogo Pedro Teotónio Pereira, diretor do Museu de Santo Antônio em Lisboa, explica à RFI que “o pão é vendido nas igrejas de Santo Antônio e deve ser guardado de um ano para o outro para que não falte alimento em casa”. Santo Antônio, o casamenteiro, ganhou essa fama no século XVII, em Portugal, quando ajudou uma mulher a se casar com quem realmente amava, em uma época em que os matrimônios eram arranjados pelos pais. Mas os pedidos para que Santo Antônio arranje namorados ou maridos permanecem atuais nos dois lados do Atlântico. Caso eles demorem a ser atendidos, o santo é mergulhado de cabeça para baixo na água, virado para a parede ou colocado em um poço, até que o protetor das moças encontre um amor para as donzelas, ou nem tanto assim. Vida & obra Santo Antônio, ou Fernando Martins de Bulhões, nasceu em 1191, em Lisboa, em plena reconquista da Península Ibérica pelos reinos cristãos das mãos dos muçulmanos. Segundo filho de uma família burguesa, coube a Fernando escolher entre a carreira militar ou a vocação religiosa. Aos 18 anos, ele decide tomar o hábito de Cônego Regrante de Santo Agostinho e, mais tarde, segue para Coimbra, onde vive mais dez anos, aprofundando os seus estudos e conhecimentos. Em Coimbra, ele encontra cinco frades franciscanos que iriam evangelizar o Marrocos, mas que são martirizados quando chegam ao país. Os restos mortais dos frades são enviados de volta a Coimbra, e o noviço Fernando fica tão abalado com o episódio que decide passar para a Ordem dos Franciscanos, mudando o seu nome para Antônio. Santo Antônio tinha uma inteligência fora do comum e um conhecimento extraordinário; ele sabia a Bíblia quase de cor. Segundo Pedro Teotónio Pereira, São Francisco de Assis vai entender que é preciso alguma erudição, além de ajudar os pobres. “Santo Antônio revela todo o seu conhecimento que tinha das Escrituras e vai ser considerado por São Francisco o primeiro teólogo franciscano”, ressalta. O Milagre dos Peixes Não se conhecem milagres de Santo Antônio em vida; só depois é que vão sendo revelados. Quando ele morreu em Arcela, nos arredores de Pádua, as crianças nas ruas intuíram e começaram a gritar: Morreu o Padre Santo! Morreu Santo Antônio! Quando o seu corpo foi transladado para Pádua, três dias depois de sua morte, há relatos de muitos milagres, e são estes milagres que vão acompanhar o seu processo de beatificação. “Santo Antônio distingue-se como um grande taumaturgo; ele é conhecido pela quantidade de milagres que fez. É curioso porque, no processo de beatificação de Santo Antônio, os seus milagres foram muito ligados à cura de doentes. Só mais tarde vão ser acrescentados, ao longo dos anos, outros tipos de milagres”, comenta o antropólogo. O Sermão aos Peixes é o milagre mais famoso de Santo Antônio e acontece quando o religioso vai a Rimini, na Itália, para tentar converter os hereges. Sem sucesso, Santo Antônio anda até o mar e fala com os peixes: “vocês também são filhos de Deus e entendem o que eu tenho a dizer”. É quando peixes começam a aparecer, de cabeça de fora, mostrando atenção ao seu sermão. Isso provoca um impacto muito grande junto aos hereges que estavam assistindo à cena e, assim, Santo Antônio consegue convertê-los. Festas nas ruas de Lisboa Em junho, Lisboa traz o seu coração para fora e comemora o Sant’Antoninho, um dos padroeiros da cidade, tratado quase como um membro das famílias portuguesas. Os lisboetas se alegram nos arraiás celebrados nos bairros populares, onde se vendem sardinhas e chouriço assados. A programação é extensa nesta sexta-feira e sábado, com destaque para os casamentos de Santo Antônio celebrados na Igreja da Sé, a bênção com a relíquia do santo, as missas, as marchas populares na Avenida da Liberdade e a ...
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  • Roland-Garros: nova geração projeta ciclo promissor para o tênis brasileiro
    Jun 4 2026
    Com o torneio de Roland-Garros chegando ao fim, o desempenho do carioca João Fonseca, que alcançou as quartas de final, trouxe entusiasmo aos torcedores brasileiros. Mas não foi apenas no circuito profissional que o país chamou atenção em Paris. A participação consistente das novas gerações, nas categorias juvenis, indica um cenário promissor para o tênis nacional nos próximos anos. Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros A avaliação é compartilhada por um nome experiente do circuito. O duplista Marcelo Demoliner, que chegou às quartas de final nesta edição do torneio, vê um momento especialmente positivo para o tênis no Brasil. “Eu acho que o tênis brasileiro está vivendo um momento maravilhoso, tanto no profissional, como isso também faz com que a nova geração acredite mais nela, vendo que os profissionais estão chegando”, disse em entrevista à RFI. "O contato que temos com eles é importante para passar experiência e confiança de que eles também podem chegar. A gente vai ter aí uns dez anos de um bom ciclo no tênis brasileiro”, aposta. Nas arquibancadas, o entusiasmo também é evidente. A torcedora Gabriela Costa destacou o nível apresentado pelos jovens atletas. “É muito impressionante. O nível dos juniores já é impressionante de ver. A próxima geração está vindo forte, inspirada pelo João”, disse. Os resultados confirmam essa impressão. Jovens tenistas brasileiros acumulam vitórias importantes em simples e duplas, evidenciando a força da base e a renovação do esporte. Entre os destaques, o goiano Luis Guto Miguel, de 17 anos e número 4 do mundo no ranking juvenil, alcançou a semifinal, ao vencer, na quinta-feira (4), o austríaco Thilo Behrmann por dois sets a um, com parciais de 6/4, 1/6 e 6/3. Já Leonardo Storck França avançou após derrotar o americano Jack Kennedy com um tie break nas quartas de final por 6/3 e 7/6 (7-1). O percurso até esse nível é resultado de anos de trabalho. Eduardo Frick, CEO da Rio Tennis Academy, onde Leonardo treina, detalha essa trajetória. “O Leonardo está conosco desde os 13 anos. Ele chegou de Cuiabá e mora na academia. É um trabalho de quase três anos e meio. Ele conquistou a vaga ao vencer o Roland-Garros Junior Series, um projeto de parceria entre a Federação Francesa de Tênis e a Federação Sul-Americana”, explica. Frick também destaca características técnicas do atleta: “Ele tem um diferencial que eu gosto muito, que é a esquerda com uma mão. Hoje em dia isso é raro. Mas ele precisa transformar isso em vantagem. É um menino com um jogo bonito, com muita garra e evolução mental.” Victoria Barros, um talento em ascensão Outro nome que chamou atenção foi o da jovem Victoria Luiza Barros. A brasileira se classificou para a semifinal nesta quinta-feira, após uma virada sobre a sul-coreana Ha Num Lee, com parciais de 2/6, 6/1 e 6/4 — resultado superior ao desempenho de 2025, quando parou na terceira rodada. A tenista destaca a importância da consistência no processo. “Eu sou muito focada no dia a dia, em cada momento na quadra, em cada bola. Venho de bons jogos e de um bom processo. Claro que trabalho para chegar ao profissional, mas é passo a passo. Fico feliz com o reconhecimento, confio em mim, mas preciso seguir no meu ritmo”, disse à RFI. Essa confiança, sobretudo o talento, chamou a atenção de quem acompanha de perto o tênis feminino latino-americano. Após a carreira como jogadora, Claudia Van der Weck consolidou-se como treinadora internacional, atuando especialmente na formação de atletas e no circuito juvenil. Depois de trabalhar com nomes de destaque do tênis brasileiro, como a gaúcha Miriam D’Agostini, ela afirmou à RFI que viu algo diferente na jovem Vitória. “Eu fiquei em estado de choque. Assisti ao jogo e não podia acreditar no que estava vendo. Porque eu conheço três ou quatro gerações de brasileiras, incluindo a Maria Esther Bueno, mas nunca vi um talento como Victoria Barros. Além de ter todos os golpes, ela tem uma direita muito forte, talvez como a Sabalenka, quando ela acelera e imprime muita potência”, afirma. "Eu vi isso na Barros e fiquei em choque. Depois vi o saque e fiquei apaixonada, pois é tecnicamente perfeito. Vi algo que não via há muito tempo: ela desfruta do jogo. Eu vi uma quantidade de coisas que, em 15 anos, eu não via em uma juvenil no mundo. Ela é um diamante”, compara. Mesmo aqueles que não avançaram no torneio mantêm a ambição. O brasiliense Pedro Chabalgoity, 18 anos, sonha com o futuro. “Quero voltar aqui. Tenho o sonho de ganhar esse torneio, mas é pensar no passo a passo. Pensar muito no futuro traz ansiedade”, diz. O contato direto com o circuito profissional também tem impacto importante na formação dos jovens. Nauhany Vitória Leme da Silva, a Naná, 16 anos, destacou a inspiração ao conviver com atletas de elite. “Fico muito feliz de estar aqui com os ...
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  • Entre o calor e a paixão pelo tênis: brasileiros inflamam as arquibancadas em Roland-Garros
    May 28 2026
    Com temperaturas excepcionalmente altas em Paris, o público tem lotado o complexo de Roland-Garros, na zona oeste da capital francesa, onde são disputados esta semana os torneios de simples e de duplas do Grand Slam francês no saibro. Sob sol forte, os torcedores enfrentam o calor para acompanhar de perto os jogos e também para apoiar os brasileiros na competição. Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros “Está difícil, mesmo para um carioca está muito difícil, porque a maioria das quadras externas ficam no sol o dia todo e tem uma hora que o carisma acaba”, relatou à RFI a torcedora Júlia Febraro. Se nas arquibancadas o calor impõe desafios, dentro de quadra as condições também influenciam diretamente o jogo. O carioca Fernando Romboli, número 73 do ranking da ATP de duplas, foi um dos afetados. Ele perdeu na estreia ao lado do australiano John-Patrick Smith, por dois sets a um. “Está fazendo esse calor aqui em Paris já há uns cinco ou seis dias, então as condições a gente já estava acostumado. A bola quica mais por causa do calor, porque ela fica mais dura. Quando há umidade, mais frio, a bola fica mais macia, então ela anda menos, pica menos na quadra e o jogo fica mais lento”, explicou o tenista. Além de Romboli, outros três brasileiros entraram em quadra, na quarta-feira (27) pelo torneio de duplas. A única a avançar para a próxima fase foi a paulista Luisa Stefani. Aos 28 anos, número 9 do ranking de duplas da WTA, ela estreou com vitória ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, número 4 do mundo na modalidade. A dupla chegou embalada pelo título do WTA 500 de Estrasburgo, conquistado na semana passada, e confirmou o bom momento em Paris, com triunfo em sets diretos, por 6/2 e 6/3, contra a holandesa Isabelle Haverlag e a britânica Maia Lumsden. “Estou super feliz de estar de volta. Sempre vejo como uma linda oportunidade estar de volta em um Grand Slam, é onde a gente quer ter as nossas melhores semanas. E estou feliz com a estreia também", disse. "Está bem calor e as condições estão mais rápidas, diferente de Estrasburgo. A gente vem de um título lá, então acho que é continuar com as mesmas intenções, melhorando, usando essa confiança, mas sentindo o jogo. Hoje elas acabaram dando muitos pontos de graça, a gente manteve a pressão do começo ao fim, sabendo que impondo o nosso jogo elas teriam que jogar bem, mas a gente fez um jogo bem firme”, analisou Stefani. "Frustração" nas duplas masculinas Já os gaúchos Orlando Luz e Rafael Matos, que estrearam como cabeças de chave número 16, foram eliminados na primeira rodada. Eles foram superados pela dupla formada pelo americano Evan King e o sueco Andre Goransson, em dois sets. Os brasileiros chegaram a sair na frente, mas viram os adversários levarem o primeiro set ao tiebreak e dominar o restante da partida. Após a derrota, Orlando Luz lamentou o resultado e destacou a expectativa da dupla em torneios desse nível. “Não tem como entrar num torneio sem expectativa. A gente queria fazer um bom torneio, uma boa semana, como todos os outros. A gente fez quartas de final na Austrália, ano passado eu tinha feito quartas aqui, o Rafa fez quartas em Wimbledon. Em Grand Slam a gente sempre imagina chegar na segunda semana, é o objetivo. Então fica um pouco a frustração”, disse à RFI. Rafael Matos volta à quadra nesta quinta-feira (28) para a disputa de duplas mistas, ao lado da espanhola Cristina Bucsa. O tenista ressaltou a importância de virar a página após a eliminação. “Melhor de três tem que ganhar dois sets, perder o primeiro vai acontecer muitas vezes, hoje a gente deixou cair nesse início e eles aproveitaram, fizeram a quebra e mantiveram até o final", avaliou. "Agora vamos esquecer hoje e amanhã é um novo dia, uma nova competição. Assim é o tênis, uma nova semana, jogo a jogo”, afirmou. João Fonseca enfrenta Djokovic A grande expectativa do Brasil em Roland-Garros segue sendo o carioca João Fonseca. Na quarta-feira, ele venceu de virada o croata Dino Prizmic, número 72 do ranking da ATP de simples. O brasileiro vai enfrentar, pela primeira vez, o sérvio Novak Djokovic, na sexta-feira (29), pela terceira rodada do torneio. Em entrevista aos jornalistas após a partida, disse: “Vai ser duro. Quero aproveitar essa experiência, mas chegar à terceira rodada já é um sonho. Eu o respeito, mas farei o máximo para vencer”. Fora das quadras, o jovem tenista mobiliza torcedores. "Fomos buscar, brasileiro é guerreiro. Estamos aqui no sol, mais de 5 horas em pé, mas o João mereceu muito", disse Gabriel Batista, médico de passagem por Paris. Uma família que veio de São Paulo acompanhou de perto um treino do brasileiro e comemorou o contato com o jogador. “Muito quente, mas muito legal. Muitos jogos importantes. Acabamos de ver o João Fonseca treinando com as crianças e eles ficaram muito felizes de vê-lo. Ele autografou a bola, e ...
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