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By: RFI Brasil
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Confira aqui as análises, entrevistas e repercussões de notícias que você pode ouvir e baixar. As reportagens +RFI propõem a cobertura de eventos importantes no mundo inteiro feita pelos repórteres e correspondentes da Rádio França Internacional.

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  • Cultura como motor de transformação: França e Brasil discutem caminhos para um desenvolvimento sustentável
    Jun 25 2026
    Como a cultura pode ser uma ferramenta de transformação durável? De que forma ela colabora para o desenvolvimento social, ambiental e econômico? Foi para responder a essas perguntas que pesquisadores, artistas, empresários e instituições associativas franco-brasileiras se reuniram, nesta quinta-feira (25), em um evento preparatório do Fórum do Amanhã, que acontece no final de setembro na capital francesa. Maria Paula Carvalho, de Paris Organizado pela associação “Os Aprendizes da Esperança” (Les Apprentis de l’Espérance), o encontro na Faculdade de Direito de Malakoff, na Grande Paris, permitiu uma troca de experiências de sucesso nos ramos da sustentabilidade, inovação tecnológica, turismo, patrimônio, ativismo e engajamento social. O painel foi aberto por representantes da CSSC, a rede Corporate Sustainability in Support of Culture, que tem como objetivo ajudar empresas a integrar a cultura e a diversidade cultural em suas estratégias de desenvolvimento suntentável. “Avaliamos que tipo de iniciativas a empresa adota para promover mais diversidade nas relações com os empregados, entre eles, e também como a empresa interage com a sociedade nesse aspecto cultural”, explica Lilian Hanania, advogada e professora, uma das fundadoras da CSSC. “A empresa tem ligações com comunidades locais? Influencia políticas públicas? Financia artistas ou a indústria criativa do local onde atua?”, questiona, apontando alguns padrões a serem medidos para a obtenção do selo IDC, que distingue empresas que integram a diversidade cultural em suas estratégias de sustentabilidade. “Ainda há poucas empresas que têm essa visão de que a cultura faz parte da sustentabilidade”, continua. “Hoje, temos duas empresas brasileiras que receberam esse selo: o escritório de advocacia Machado Meyer, com sede em São Paulo, e uma microempresa, a franquia de sorvetes Mister Mix”, de Mogi Guaçu, também em São Paulo, revela. Na França, uma das empresas que aceitaram o desafio de incluir a cultura em suas estratégias é a fabricante de pneus Michelin. “Existe essa preocupação aqui na França, mas o Brasil está em um momento particularmente favorável para discutir essas questões”, explicou Hanania, em entrevista à RFI. Cadeias de valor na Amazônia O engenheiro e consultor Tobia Ferraro atua em projetos de inovação social na Amazônia brasileira, com foco na estruturação de cadeias produtivas locais. Em Santarém, iniciativas desse tipo vêm organizando agricultores familiares e comunidades tradicionais em torno de cooperativas e pequenas agroindústrias, permitindo agregar valor à produção, como derivados da mandioca, frutas e produtos da floresta, e conectar essas cadeias ao mercado. “Um exemplo vem dos seringais do Pará, que decaíram muito e deixaram de ser competitivos em relação ao mercado asiático e mesmo à borracha plantada em São Paulo. Esse setor ficou dormente por muito tempo”, conta. Até que uma organização de Santarém, chamada Saúde e Alegria, retomou a produção com o uso de recursos do Fundo Amazônia, explica. “Hoje eles consolidam a borracha extraída pelos seringueiros do território e exploram cadeias de valor amazônicas, como sementes florestais, óleos e manteigas vegetais extraídos de frutos brasileiros”, completa. “É muito importante poder agregar valor a esse tipo de produto agroextrativista, que sustenta 400 famílias da região, espalhadas por 60 comunidades”, calcula. “Entre essas comunidades há quilombolas e indígenas, que têm uma riqueza cultural muito grande e que agora podem contar com geração de renda para prosperar”, comemora. Outros saberes A filósofa brasileira Caroline Isidoro Marinho trabalha na aproximação de diferentes tipos de saberes, como o acadêmico e o popular. Atualmente morando em Toulouse, no sul da França, ela estuda como facilitar o diálogo cultural por meio de ferramentas artísticas, da dança, da música e da oralidade. “Um dos pontos em comum entre Brasil e França são os afetos”, continua a pesquisadora, que na França se interessa especialmente pelo universo associativo. “A minha pesquisa investiga como a forte experiência francesa em trabalho associativo e comunitário pode se unir aos conhecimentos populares para facilitar o diálogo entre os dois países, dentro de práticas pedagógicas”, conclui. Literatura de Cordel como ferramenta de integração Já a francesa Sophie Foray encontrou na literatura de cordel uma ponte entre a educação no Brasil e na França. Ela promove intercâmbios entre alunos de escolas públicas dos dois países em torno desse tipo de poesia popular brasileira, muito ligada ao Nordeste, feita em versos rimados e tradicionalmente publicada em pequenos folhetos vendidos em feiras. “O Brasil ainda sofre com uma visão no exterior que é muito estereotipada, especialmente no que diz respeito às culturas do Nordeste”, afirma, em ...
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  • Eleições sob pressão: o avanço da desinformação e dos ataques cibernéticos
    Jun 24 2026
    Há mais de uma década, as chamadas ameaças híbridas deixaram de ser apenas um conceito acadêmico para se tornar uma realidade capaz de influenciar sociedades em todo o mundo. Entre os momentos mais vulneráveis a esse tipo de ação estão os períodos eleitorais. Segundo especialistas, os seis meses que antecedem um pleito concentram os maiores riscos de interferência no debate público e na confiança dos eleitores. Júlia Valente, Correspondente da RFI em Helsinque Em uma sociedade cada vez mais digital e interdependente, os conflitos também assumem novas formas. Não se trata mais apenas de bombardeios, invasões ou ataques militares convencionais. Ciberataques, campanhas de desinformação e pressões econômicas também podem ser utilizados para influenciar países e sociedades. Esse conjunto de estratégias é conhecido como ameaças híbridas, ações capazes de comprometer a estabilidade política, a segurança nacional e a economia de países em todo o mundo. Em Helsinque, na Finlândia, está localizada a sede do Centro Europeu de Excelência para o Combate às Ameaças Híbridas (Hybrid CoE). Criada em 2017 em parceria com a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em um contexto de crescente preocupação dos governos com o avanço desse tipo de ação, a instituição apoia seus 35 países membros com pesquisas, treinamentos e análises voltados à prevenção e ao combate dessas ameaças. Martha Turnbull, diretora da área de Influência Híbrida do Hybrid CoE, ressalta que um dos cenários que mais tem registrado o aumento de ameaças híbridas é o período eleitoral. “Vemos uma grande quantidade de desinformação nos cerca de seis meses que antecedem a eleição. Isso se encaixa em um padrão mais amplo que temos observado, no qual esses atores procuram minar a confiança do público no sistema eleitoral e no governo atual”, afirma. Turnbull explica que, à medida que a eleição se aproxima, essas atividades passam a se concentrar em partidos políticos e candidatos específicos, além de tentar desencorajar a participação dos eleitores. “Isso não termina no dia da eleição. Essas atividades continuam nas semanas seguintes, buscando desacreditar os resultados”, complementa. Não são apenas atores externos que impõem ameaças, mas também internos. “No contexto eleitoral atual, observamos que existe uma ligação entre ameaças externas e atores domésticos em muitos países", afirma Turnbull. "Em alguns casos, essa ligação é direta, quando o ator externo orienta diretamente grupos ou indivíduos que estão dentro do país realizando algum tipo de atividade. Em outros casos, a ligação não é tão clara, mas, de forma geral, o que estamos vendo é uma conexão cada vez maior entre esses atores”, diz a especialista. O principal alvo das ameaças híbridas durante períodos eleitorais são justamente os eleitores. Por isso, de acordo com o Hybrid CoE, combater esse fenômeno também envolve fortalecer a educação midiática da população, para que as pessoas consigam identificar e resistir à desinformação. IA muda o cenário das ameaças híbridas Além do cenário eleitoral, o avanço da inteligência artificial (IA) vem transformando a forma como ameaças híbridas são produzidas e combatidas. Segundo Turnbull, atores envolvidos nesse tipo de atividade utilizam modelos de linguagem e outras ferramentas de IA para ampliar sua capacidade de atuação, aumentar a escala das operações e acelerar respostas. “Isso, obviamente, é muito desafiador. Além disso, algumas dessas tecnologias tornam essas atividades muito mais difíceis de rastrear e, consequentemente, mais difíceis de atribuir responsabilidade e de responder a elas”, ressalta. Também existe, no entanto, um aspecto positivo. Governos e instituições vêm utilizando a IA para fortalecer sistemas de monitoramento e resposta a ameaças híbridas. O saldo dessa transformação, porém, ainda é incerto. “Acho que, neste momento, a balança ainda não pendeu claramente para um lado ou para o outro", avalia Turnbull. Europa vê Rússia como principal preocupação O Hybrid CoE está localizado em um ponto simbólico. Helsinque fica a menos de 200 quilômetros da fronteira com a Rússia, país apontado por especialistas como a principal fonte de ameaças híbridas ao continente europeu na última década. “Consideramos que a principal ameaça para a Europa vem da Rússia, mas também observamos o aumento de ameaças por parte do Irã e da China”, afirma Martha Turnbull. Desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, o Hybrid CoE afirma ter observado um aumento significativo das atividades relacionadas a ameaças híbridas. “Temos observado uma atividade concentrada, particularmente por parte da Rússia, no campo da desinformação, que busca enfraquecer o apoio à Ucrânia e minar a disposição do país de continuar lutando com o ...
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  • Paris abre suas ruas ao funk brasileiro e às cenas afro-europeias e indie na Festa da Música 2026
    Jun 20 2026
    Paris celebra neste domingo (21) a Festa da Música, evento gratuito que ocupa ruas, praças e espaços culturais com programação diversa e descentralizada, marcada nesta edição 2026 pela presença de culturas urbanas, cenas afro‑europeias e a já tradicional participação brasileira. Criada em 1982, a iniciativa mantém a proposta de transformar a cidade em palco aberto no início do verão europeu, sem concentração em um único espetáculo e com ampla circulação de público entre bairros. Neste domingo (21), Paris volta a organizar a Festa da Música, com uma programação que se espalha por toda a cidade e transforma o espaço urbano em um circuito contínuo de apresentações. O evento ocorre simultaneamente em diversos bairros, sem centralização, com acesso gratuito e livre circulação do público ao longo do dia e da noite. Criado em 1982, o evento ocorre sempre no início do verão no hemisfério norte e se baseia na ocupação simultânea de diferentes espaços urbanos. Ruas, praças, museus, igrejas e edifícios históricos recebem concertos e intervenções musicais ao longo do dia e da noite. Desde então, a festa se consolidou como uma das maiores manifestações culturais do país. Democratizar o acesso à música Mais de quatro décadas depois, o modelo permanece praticamente inalterado, sustentado pela ideia de democratizar o acesso à música ao vivo e integrar diferentes práticas culturais no espaço urbano. Concertos ocorrem em ambientes diversos, incluindo museus, igrejas e edifícios institucionais. A edição de 2026 confirma essa escala abrangente, com centenas de apresentações distribuídas entre ruas, parques, centros culturais e margens do Sena. A cidade se transforma em um grande palco aberto, com programação contínua ao longo do dia. A lógica do evento difere da adotada em grandes festivais comerciais. Não há hierarquia rígida entre atrações, nem um palco principal que concentre o público. Artistas emergentes e nomes mais conhecidos coexistem em condições semelhantes. A proposta segue centrada na democratização do acesso à música ao vivo. Artistas amadores e profissionais compartilham a programação espalhada pela capital francesa, em um formato que privilegia a circulação do público e a descoberta de apresentações fora dos circuitos tradicionais. Leia tambémParis vira “Coachella urbano” por uma noite na Festa da Música de 2025 Culturas urbanas e diásporas africanas A edição de 2026 se destaca pela presença ampliada de expressões ligadas às culturas urbanas e às diásporas africanas na Europa. No centro cultural La Place, em Châtelet, no coração de Paris, um encontro entre o coletivo parisiense AFRO LIVE e o londrino ADA Collective reúne artistas associados às cenas afro‑europeias contemporâneas. A programação evita a lógica de um espetáculo central. Em vez disso, privilegia a diversidade de formatos, com apresentações que vão da música eletrônica e afro a concertos em espaços históricos, além de festas de bairro e performances espontâneas. Projetos internacionais também integram a programação, aproximando artistas de diferentes regiões. Parcerias conectam cenas mediterrâneas e latino‑americanas, ampliando o intercâmbio cultural presente na festa. Leia tambémMais de 120 países comemoram Festa da Música nesta sexta-feira Funk brasileiro no Louvre? Um dos exemplos dessa convivência entre linguagens ocorre na igreja Saint‑Germain‑l’Auxerrois, em frente ao Louvre. Das 16h às 23h59, hora local, o espaço recebe o Baile da Euro, com apresentações de DJs e presença marcante do funk brasileiro. A utilização de um edifício histórico para música urbana contemporânea sintetiza a proposta de ressignificação dos espaços. A festa busca transformar temporariamente o uso dos locais, sem romper com seu valor patrimonial. A programação de 2026 também destaca iniciativas ligadas à cena independente e a projetos multidisciplinares. No bairro do Marais, o novíssimo espaço Sabiá Arte & Cultura reúne música, artes visuais e intervenções urbanas. Para Anderson Vital, também conhecido como DJ Sabiá, a iniciativa exigiu um set list caprichado. “Preparei um set com música brasileira, de São Paulo, de Adoniran Barbosa, até o carimbó do Pará, na voz de Eliana Pittman. Então vai ter samba, vai ter groove, vai ter tropicália, forró, carimbó, e algumas surpresas da variedade francesa”, disse à RFI. O espaço também recebe o coletivo Casa Moyo, voltado à promoção de artistas emergentes e à criação de projetos colaborativos. A organização define sua atuação como a construção de uma comunidade criativa baseada em encontros e experimentação artística. Segundo Julia Vital, cofundadora do centro cultural, os organizadores decidiram “[se] aproximar da Casa Moyo, que é um coletivo de artistas, uma casa criativa que gera uma comunidade artística. Esse coletivo ...
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