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  • Música bilíngue lançada nas redes viraliza e muda trajetória de estudante brasileira em Paris
    Jun 27 2026

    Fernanda Coelho, uma brasileira de 25 anos que faz mestrado em Paris, conquistou um sucesso inesperado na música e já começa a tocar em rádios francesas. A partir de um projeto pessoal, a jovem lançou a canção “Clichê”, que rapidamente acumulou quase 2 milhões de visualizações nas redes sociais e milhares de streams.

    A artista aposta em uma sonoridade pop bilíngue, combinando português e francês e incorporando referências musicais dos dois países. Com a rápida viralização, a jovem natural de São Paulo assinou contrato com uma gravadora alemã e prepara novos lançamentos.

    Apesar da surpresa, a relação com a música é antiga. “Eu comecei a cantar muito cedo, com cinco anos, já me apresentando em palco com o incentivo dos meus pais. Eu acho que tem coisas que a gente não explica. Às vezes a gente tem um amor, um talento. Eu era aquela aluna que preferia estar se apresentando no recreio”, conta.

    Na hora de escolher o rumo profissional, Fernanda acabou optando pela arquitetura, e o caminho acadêmico se tornou a via mais segura. A jovem foi a Paris continuar os estudos, em um mestrado na área.

    Já o viés musical ressurgiu após conhecer o atual namorado, o produtor musical francês Ulysse Molho, que reacendeu nela a vontade de voltar a cantar. “Ele me convidou para o estúdio para nos divertirmos e para eu ‘desbloquear’ um pouco, já que eu não cantava desde que entrei na faculdade”, explica.

    Primeira composição de forma natural

    Foi nesse contexto despretensioso que surgiu “Clichê”. A ideia era clara: reunir as duas culturas que hoje fazem parte da vida da artista. A canção mistura referências como o funk brasileiro e influências da música eletrônica francesa, como Daft Punk. “A música saiu na terceira tentativa de melodia”, lembra Fernanda.

    “O Brasil é muito ‘trend’ no exterior, mas as pessoas ainda não conhecem a cultura profundamente, e eu quero apresentar isso. Acho que é muito interessante misturar o pop brasileiro com o pop francês. Acho que é um casamento perfeito: o pop francês tem uma batida única e o brasileiro tem uma vibração especial”, opina Fernanda.

    Ela conta que, inicialmente, o plano era somente postar a faixa nas redes sociais. “Não tínhamos intenção de lançar, até porque estou no meio do meu mestrado”, diz. Mesmo assim, a canção ganhou forma em português e francês.

    “Cheguei a fazer cover no YouTube com 16 anos, mas foi a primeira música que compus. Escrevi a base inteira em português, que é mais natural para expressar meus sentimentos”, explica. “Hoje, para mim, é tão natural passar do português para o francês que senti que isso deu um toque especial, porque não é forçado, reflete os dois mundos que estou vivendo.”

    Viralização orgânica

    O sucesso veio de forma orgânica e vertiginosa. “Passamos de apenas família e amigos curtindo para subir mil seguidores por dia”, conta. Em poucos dias, o projeto saiu do anonimato para ter milhares de seguidores. “Quando passou de 200 para 10 mil seguidores em uma semana, vimos que algo estava acontecendo ali.”

    Os números confirmaram a percepção: passada uma semana, 100 mil streams no Spotify foram alcançados. “Meu produtor avisou que isso é raro para uma artista iniciante.”

    Em seguida, veio o interesse de gravadoras e produtoras, que culminou em um contrato com o selo alemão Bamboo Artists.

    Agora, com novos lançamentos previstos, Fernanda quer seguir explorando a mistura cultural que marcou sua estreia, explorando ritmos brasileiros.

    Para ela, a proposta vai além da estética sonora: trata-se de identidade.

    “A música é uma maneira de explorar minha experiência como estrangeira, fazendo relações entre as diferenças do Brasil e da França.”

    A autenticidade é central no seu projeto, já que Fernanda acredita que o mais importante é “colocar a alma, especialmente com o crescimento da inteligência artificial” no meio artístico.

    Dividida entre o fim do mestrado e o início da nova fase artística, a artista ainda mantém os pés nos dois mundos, mas já sabe qual escolher, se for preciso. “Se eu conseguir viver disso e continuar no projeto, não tenho dúvidas do que escolheria.”

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  • 'A alma é carioca, o corpito é português': Roberta Medina fala sobre o presente e o futuro do Rock in Rio Lisboa
    Jun 26 2026
    À sombra do Tejo, com uma “brisa carioca”, o Rock in Rio Lisboa se prepara para seu último fim de semana de shows. Enquanto milhares de fãs aguardam as apresentações que encerram mais uma edição do festival, a vice-presidente executiva do evento, Roberta Medina, recebeu a RFI para uma conversa descontraída durante o tradicional evento-teste que antecede a abertura dos portões. Lizzie Nassar, correspondente da RFI em Lisboa Entre histórias de bastidores, comparações entre Brasil e Portugal e planos para ampliar a presença internacional do festival, Roberta mostrou por que o Rock in Rio continua sendo muito mais do que uma sequência de concertos. "A alma é carioca, o corpito é português", resumiu, sorrindo, ao olhar para o novo recinto instalado às margens do Tejo. O espaço, que pode receber até 100 mil pessoas por dia, representa uma nova fase para o festival em Portugal. "É um lugar muito especial. Tem uma energia maravilhosa. A expectativa é de dias quentes, então estamos reforçando algumas mensagens importantes para o público: usar transporte coletivo, vir com roupa leve, sapato confortável e beber bastante água", recomenda. O ensaio geral antes da multidão Antes da chegada das dezenas de milhares de espectadores, o festival realiza um evento-teste. Embora pouco conhecido pelo público, ele é fundamental para o funcionamento da operação. "Só que abrir as portas sem testar é como bater prego no escuro", brinca Roberta. Ela explica que o objetivo é colocar toda a estrutura para funcionar simultaneamente antes da estreia oficial. "O evento-teste ajuda a descobrir se há uma fuga de água, um problema numa estrutura ou alguma questão operacional. Depois que entram milhares de pessoas, já não existe mais ensaio". A dimensão impressiona: mais de 15 mil profissionais são credenciados para trabalhar no festival e cerca de 10 mil entram diariamente para fazer a máquina funcionar. "Tem muita regra para uma coisa deste tamanho dar certo. Desde saber qual portão usar até conferir se a credencial está correta". Quem imagina que a executiva conhece todos os segredos dos artistas pode se surpreender. Questionada sobre as participações especiais que costumam marcar o Rock in Rio, Roberta revelou que muitas vezes também é pega de surpresa. "Comigo acontece imenso", conta, usando uma expressão típica do português europeu. "Às vezes sobe alguém ao palco e eu penso: 'Olha!' Depois digo para a equipe: 'Mas por que não me contaram? Eu podia ter aproveitado isso na comunicação'." Mesmo assim, ela admite gostar do fator surpresa. "Eu gosto de ser surpreendida. Faz parte da magia." O mesmo Rock in Rio, mas diferente Ao longo dos seus 22 anos em Portugal, o Rock in Rio Lisboa construiu uma identidade própria. Ainda assim, segundo Roberta, a essência permanece a mesma. "Eles são muito diferentes e, curiosamente, são o mesmo Rock in Rio", Roberta Medina, vice-presidente executiva do evento. A executiva lembra que o festival brasileiro nasceu em 1985 e se tornou um marco histórico e cultural. "O Rock in Rio Brasil não é apenas um evento incrível. Ele é um fato histórico." Já em Lisboa, a trajetória começou em 2004. "Aqui ele é um evento incrível que cresce pela Europa. Não tem a mesma história de 1985, mas já começa a deixar marcas importantes na indústria portuguesa". Brasileiros e portugueses: energias diferentes Um dos momentos mais divertidos da entrevista aconteceu quando a conversa chegou ao comportamento do público. Roberta não esconde o carinho pelos dois lados do Atlântico, mas reconhece diferenças. "Os portugueses são muito calorosos. Os artistas adoram tocar aqui. Mas o ritmo e a energia do brasileiro estão um andar acima." Ela ri ao imaginar uma situação comum em festivais lotados. "Se você pedir para 90 mil portugueses darem um passinho para o lado, eles vão. No Brasil... esquece". A observação vem da experiência acumulada em décadas de organização de grandes eventos. "Em termos de operação, aqui tudo é mais suave." O impacto econômico Além da música, o Rock in Rio também movimenta a economia portuguesa. Segundo dados citados por Roberta Medina, um estudo realizado após a última edição apontou um impacto de cerca de 120 milhões de euros em apenas quatro dias de evento. "É uma coisa impressionante". O perfil dos visitantes reforça esse peso econômico. "60% do público vem de fora da Grande Lisboa e 80% de fora da cidade. Temos pessoas de 125 países." A internacionalização aparece agora como uma das grandes apostas da organização. "Hoje recebemos entre 16 e 17 mil visitantes internacionais. Esse número pode ser triplicado ou quadruplicado com tranquilidade". Segundo ela, quanto maior for a presença de turistas estrangeiros, maior será o retorno para a cidade. "Isso amplia o impacto econômico, fortalece o turismo e deixa mais recursos em Lisboa". Um festival que continua crescendo Ao entrar...
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  • Única mulher no TSE, Estela Aranha defende representatividade e denuncia violência de gênero
    Jun 16 2026
    A ministra do Tribunal Superior Eleitoral Estela Aranha falou à RFI, em Lisboa, sobre os desafios da participação feminina na política, o avanço da violência contra mulheres nas redes sociais e os impactos da inteligência artificial nas eleições brasileiras. Desde sua posse, em agosto de 2025, ela é a única mulher entre os ministros titulares. Lizzie Nassar, correspondente da RFI em Lisboa As mulheres representam cerca de 52% do eleitorado brasileiro, mas continuam sub-representadas nos espaços de poder. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, entre 2016 e 2022, elas responderam por apenas um terço das candidaturas registradas e ocuparam somente 15% dos cargos conquistados nas urnas. É nesse contexto que a advogada paulista Estela Aranha integra o Tribunal Superior Eleitoral. Especialista em direitos digitais, ela atuou como assessora da Presidência do TSE antes de assumir a vaga destinada à classe dos juristas. Também foi secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, integrou o Conselho de Alto Nível das Nações Unidas sobre Inteligência Artificial e presidiu a Comissão Especial de Proteção de Dados do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. O TSE é composto por sete ministros: três oriundos do Supremo Tribunal Federal, dois do Superior Tribunal de Justiça e dois representantes da classe dos juristas, indicados pelo presidente da República. Atualmente, entre os membros titulares da Corte, Estela Aranha é a única mulher. Em entrevista à RFI durante um evento realizado em Lisboa, a ministra afirmou que a representatividade feminina continua sendo um desafio dentro das instituições brasileiras. “Eu sou a única mulher que vai compor [o tribunal]. A sociedade é igualitária no número das mulheres e acho que tem que ter representatividade”, afirmou. Para ela, a presença feminina nos espaços de decisão não se limita à defesa de pautas voltadas às mulheres. Segundo a ministra, a diversidade de experiências e trajetórias contribui para ampliar perspectivas em todos os temas debatidos dentro das instituições. “Acho que tem que ter mulher julgando sobretudo todos os temas. Você traz sua vida, sua experiência, seus backgrounds, e isso influencia a forma como você vê as questões”, disse. Violência política e ataques às mulheres Apesar dos avanços observados nos últimos anos, a participação feminina na política ainda enfrenta obstáculos importantes. Nas eleições de 2022, apenas 18% dos eleitos para cargos legislativos foram mulheres. Entre os principais desafios apontados por Estela Aranha está o aumento da violência política de gênero, especialmente no ambiente digital. “Estou vendo a violência política contra a mulher e contra mulheres jornalistas nas redes aumentando muito”, alertou. A ministra destacou que a violência direcionada às mulheres costuma assumir características diferentes daquela enfrentada pelos homens em posições públicas. “Quando xingam uma mulher, o ataque geralmente é moral. Muitas vezes envolve aspectos sexuais e pessoais muito graves”, afirmou. Segundo ela, esse tipo de violência pode desestimular a participação feminina na política e em posições de liderança, além de dificultar a permanência das mulheres em espaços de poder. Aranha também chamou atenção para as dificuldades de conciliar responsabilidades profissionais e pessoais. Na avaliação da ministra, a sobrecarga relacionada ao cuidado da família e da casa ainda recai majoritariamente sobre as mulheres, limitando suas oportunidades de ascensão. Inteligência artificial e eleições de 2026 Além da questão da representatividade feminina, a ministra abordou um dos temas que devem marcar o próximo ciclo eleitoral brasileiro: o avanço da inteligência artificial generativa. Para ela, a tecnologia cria desafios inéditos para a Justiça Eleitoral, especialmente no combate à desinformação e à manipulação de conteúdos durante as campanhas. “A inteligência artificial generativa é um desafio novo. A Justiça Eleitoral tem tradição de se antecipar a muitas questões tecnológicas porque os impactos costumam aparecer primeiro nas eleições”, afirmou. A ministra defendeu a necessidade de aperfeiçoar mecanismos de monitoramento e regulação, sem comprometer a liberdade de expressão e o debate político. “Tem conteúdos que são considerados ilegais pela Justiça Eleitoral e haverá atuação quando isso for necessário. Mas o debate político é importante e a liberdade de expressão continua sendo um valor fundamental”, disse. Segundo ela, um dos grandes desafios será adaptar ao ambiente digital princípios já consolidados no sistema eleitoral brasileiro, como a garantia de igualdade de condições entre os candidatos. Experiência brasileira vira referência internacional Estela Aranha também destacou o papel desempenhado pelo Brasil na construção ...
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  • Brasil mira mercado global no Eurosatory, principal salão de defesa do mundo que começa em Paris
    Jun 15 2026

    O Brasil quer ampliar sua presença no mercado internacional de defesa durante o Eurosatory 2026, principal salão mundial do setor, que acontece de 15 a 19 de junho em Villepinte, na região da Grande Paris. O evento reúne mais de 2 mil expositores de 65 países, em um ambiente que combina feira comercial, demonstrações militares e debates estratégicos, refletindo as tensões do cenário geopolítico atual.

    Maria Paula Carvalho, da RFI

    Para o coronel Antônio Ribeiro, diretor de projetos da ABIMDE, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Defesa e Segurança, a participação brasileira será voltada à consolidação de parcerias e à apresentação de tecnologias nacionais. “Nós vamos estar com um estande de mais de 100 metros quadrados, com 19 empresas, oferecendo aos nossos parceiros aquilo que a gente tem de melhor em tecnologia e soluções na área de defesa”, afirma.

    O chamado Espaço Brasil reúne empresas que atuam em áreas como comunicação, comando e controle de drones, cibersegurança, engenharia de sistemas e suporte logístico. Segundo Ribeiro, trata-se de uma vitrine estratégica para ampliar exportações e atrair investidores. “A gente considera o evento estratégico porque ele consegue aglutinar parceiros comerciais de todos os cantos do mundo”, diz. A expectativa é iniciar negociações e fortalecer acordos em curso com países da Ásia, do Oriente Médio, da África e das Américas.

    Hoje, os principais clientes da indústria brasileira de defesa estão no Oriente Médio, no Sudeste Asiático, no norte da África e na América Latina, com abertura recente também na Europa Central. Em termos de concorrência, o coronel destaca que o Brasil já disputa espaço com grandes grupos internacionais.

    “Felizmente, hoje nós temos tecnologia adequada a um preço adequado para fazer concorrência com empresas da Europa e da América do Norte, em determinados setores”, afirma.

    Conflitos impulsionam demanda por defesa

    O aumento das tensões internacionais tem impulsionado a demanda por equipamentos militares. Embora evite uma análise geopolítica, Ribeiro reconhece o impacto dos conflitos recentes.

    “O que a gente vê é um aquecimento da demanda, fruto do conflito na Europa Central e também no Oriente Médio. Existem oportunidades que estão se abrindo frente a essas regiões”, diz.

    Nesse contexto, o Brasil busca se posicionar como fornecedor confiável e competitivo, explorando nichos nos quais já possui expertise, como aeronáutica, sistemas de monitoramento e radares. “O Brasil já foi um dos dez maiores exportadores de material de defesa. Tivemos uma queda, mas estamos voltando numa curva ascendente”, explica.

    Entre os destaques tecnológicos, estão radares de vigilância e meteorológicos desenvolvidos no país e utilizados internacionalmente. “Um grande grupo europeu, o Thales, adotou uma solução brasileira como padrão mundial, com radares da Omnisys”, exemplifica.

    Submarino nuclear e cooperação com a França

    Outro projeto estratégico é o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear, em parceria com a França. De acordo com Ribeiro, enquanto o casco tem origem francesa, a tecnologia nuclear vem do Brasil. “Toda a parte de desenvolvimento do reator é 100% brasileira”, afirma. Ele ressalta, no entanto, que a eventual exportação dessa tecnologia depende de decisões governamentais.

    Apesar da tradição diplomática brasileira, o reforço das capacidades militares também entra na agenda. “Se você quer a paz, prepare-se para a guerra”, cita o coronel, evocando um provérbio em latim Si vis pacem, para bellum. Segundo ele, o contexto atual abre espaço para investimentos e modernização das Forças Armadas.

    Outro trunfo da indústria nacional é o custo competitivo. “Nossos equipamentos têm preço bastante adequado, além de um pós-venda e uma capacidade de customização muito fortes”, destaca.

    O Eurosatory, porém, não deve resultar em acordos imediatos. “Essa feira não vai gerar nenhum contrato a curto prazo. Ela serve para apresentar o material, despertar interesse e iniciar tratativas”, explica Ribeiro. A meta brasileira é, sobretudo, ampliar sua rede de contatos e posicionar seus produtos no mercado global.

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  • 'Nossa sociedade está em vias de colapsar', afirma psicóloga sobre impactos da jornada 6x1 na saúde mental
    Jun 10 2026
    Trabalhar seis dias na semana, inclusive fins de semana e feriados, numa jornada de pelo menos oito horas por dia, sem contar o tempo de almoço, trânsito na ida e na volta, e ainda lidar com as cobranças por resultado e responsabilidades domésticas forma uma equação que tem resultado em adoecimento mental, precariedade no cuidado dos filhos, além de baixa produtividade. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília Para as mulheres, a sobrecarga é ainda maior, na avaliação da psicóloga Carla Antloga, professora da Universidade de Brasília, doutora em psicologia social e pesquisadora na área de trabalho e organizações. “As pessoas vão perdendo o sentido da vida. Você vive para trabalhar, pagar boleto. Não é possível viver desse jeito. A forma como nós organizamos a nossa sociedade está em vias de colapsar.” O assunto tem gerado debate e cobranças nas redes sociais, tanto que a Câmara dos Deputados aprovou o texto que acaba com a escala 6x1, estabelecendo uma jornada de 40 horas semanais, com duas folgas na semana. Para que a mudança realmente vire regra é preciso que o Senado Federal também aprove a emenda constitucional. “O que nós vemos é que as organizações raramente se responsabilizam por isso. As empresas têm uma dificuldade de entender que pessoas são seres humanos, que trabalhadores são gente”, critica Antloga. A pesquisadora explicou que é muito comum, numa jornada de apenas um dia de descanso, especialmente entre pessoas que trabalham na frente ao computador, em atividades repetitivas, o chamado ‘entrar no automático’, quando o cérebro não desliga. “O nosso sistema neuroquímico entende que nunca pode desligar o modo de alerta e aí o adoecimento mental é muito mais frequente. Nós estamos falando de adoecimentos mentais que podem ser incapacitantes, como a depressão e o burnout, situações que podem realmente retirar a pessoa do seu contexto de trabalho.” Para Carla Antloga, “o sistema econômico em que nós vivemos foi normalizando a ideia de não termos tempo para descanso. Nós temos estudos diversos nas áreas de Educação Física, Fisiologia, Biologia, Medicina, que mostram o quanto é necessário que nós tenhamos períodos de repouso, sono reparador, sono de qualidade.” A psicóloga lembra que uma jornada de oito horas diárias significa pelo menos dez horas longe de casa, pois há o tempo de deslocamento e a hora de descanso. “E se tem filhos, como está a vida dessas crianças?”, indaga a entrevistada, lembrando que para muitos brasileiros o único dia de folga não coincide com o fim de semana, quando os filhos estão em casa. A jornada 6x1 na vida das mulheres “Esse um dia da semana nós temos que lembrar que é muito diferente para homens e mulheres. Os homens no geral, principalmente os casados, contam com a mulher para poder organizar essa vida prática. Mas quando a mulher é mãe solo, e nós estamos falando de uma porcentagem importante das mães no Brasil, ela vai ter esse um dia da semana para cuidar de tudo: lavar roupa, cozinhar, gerenciar vida dos filhos, ir ao supermercado”, destaca a professora da UnB. Mesmo com uma jornada exaustiva, ressalta Antloga, as mães são cobradas a acompanhar de perto a vida escolar dos filhos e a responder por concepções incompatíveis com esse ritmo de vida, como o controle sobre o tempo de tela de crianças e adolescentes. Como muitas mães sujeitas à escala 6x1 trabalham sábado, domingo e feriados, deixar um celular com os filhos acaba sendo uma forma de comunicação entre eles. Além disso, difícil imaginar que, no dia de folga, a mãe consiga dar conta de tudo sem uma forma de entreter as crianças. “É impossível. Quando essa mulher está em casa, as crianças estão ansiosas pela presença dela, mas ela tem muitas coisas a resolver e organizar. E ela está exausta por ter trabalhado vários dias seguidos, com muita demanda. E muitas vezes é quando o filho está vendo algo na internet que ela consegue fazer as coisas. Ou seja, a sociedade quer que as mães trabalhem como se não tivessem filhos e sejam mães como se não trabalhassem.” Jornadas menores aumentam produtividade “Em outros modelos sociais nós vemos que trabalhadores que estão numa escala 5x2, às vezes até menos, estão vivendo muito melhor. A qualidade da relação com os filhos é completamente diferente. E essas pessoas encontram um sentido na vida. Porque viver não pode ser só trabalhar. A gente tem que pensar em trabalhar para viver e não viver para trabalhar.” A psicóloga e pesquisadora frisa que estudos mostram que o trabalhador que tem tempo para conciliar os afazeres domésticos, as demandas do trabalho e também descansar trabalha melhor, gerando lucro para o empregador. “Vamos trabalhar com evidências científicas. As evidências que nós temos é que a produtividade aumenta quando os trabalhadores trabalham seis horas. Por quê? O trabalhador já chega mais ...
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  • Cantora franco-portuguesa Elsinha lança 1° disco em conexão direta com prosódia musical brasileira
    Jun 9 2026
    A cantora franco-portuguesa Elsinha lançou o álbum “Liberdade”, seu primeiro disco de estúdio. Nascida na região de Paris e filha de imigrantes portugueses, a artista reúne influências do Brasil, da Espanha e de Portugal em um trabalho que cruza música, dança e memória. Com 12 faixas, o projeto aborda identidade, migração e herança cultural, além de refletir sobre a temática da liberdade, seja em dimensões pessoais ou históricas. Nascida em Rueil-Malmaison, na região parisiense, a artista construiu sua identidade a partir de experiências multiculturais e de um contato precoce com diferentes linguagens artísticas. Ao comentar o conceito central do trabalho, ela associa o título a um processo gradual de construção pessoal e coletiva. “Começou, para mim, já com a capoeira, que eu iniciei aos 13 anos. Eu já estava numa luta, numa dança pela libertação. Então esse disco começa com a liberdade do escravo. E, pouco a pouco, você vai na liberdade interior à minha própria liberdade, como filhos de migrantes, como mulher, como também a afirmação do ser, apesar de todos os preconceitos que existem na sociedade, na família", diz a cantora. O lançamento marca a realização de um projeto iniciado anos antes, após singles e o EP “Salvação”, de 2019. Antes de se dedicar integralmente à música, Elsinha atuou como professora de espanhol na rede pública francesa, mas abandonou a carreira de docente para investir na produção artística. Nesse percurso, a escolha do idioma tornou-se elemento central de sua expressão. “Eu sempre tive uma conexão enorme cantando em português do Brasil. Tentei em francês várias vezes, tem uma música no disco que é misturado francês e português, mas [o português do Brasil] é uma língua que me toca na alma, é uma sensibilidade profunda. Eu acho que também tem a ver com as minhas raízes, então é uma língua para mim de abertura, de conexão de raízes. E o espanhol também me conecta em um intermédio entre França e Portugal, porque de criança eu ia todos os anos para Portugal e passava pela Espanha”, afirma. Leia tambémApós sucesso em 2024, segundo volume do livro 'Caixinhas de Música' trará entrevistas com Fernanda Takai, Tom Zé, Alceu Valença e Wanderléa Diferentes territórios e tradições musicais Composto por 12 faixas, “Liberdade” reúne canções em português, espanhol e francês, refletindo um percurso que atravessa diferentes territórios e tradições musicais. A artista combina influências afro-brasileiras, referências lusófonas e elementos da música hispânica em um repertório que articula múltiplas identidades. Esse processo também se apoia em referências femininas que marcaram sua formação ao longo dos anos. “Eu tenho logo uma cantora que vem, que é Mayra Andrade [pois] Cabo Verde me inspira muito. E também Maria Bethânia, Elis Regina, as músicas da Tropicália. Apesar de eu não ter vivido isso e não ser brasileira, meu pai escutava, porque chegou até Portugal. E também tem outras figuras mais hispânicas, como Natália Doco. Quando você fala da Cesária Évora, também fiz uma cover de 'Sodade'”, relata. A proposta artística do álbum também se reflete na forma como a cantora se apresenta ao vivo. Seus shows incorporam dança e performance, integrando o corpo à música e ampliando a experiência do público. Essa dimensão está diretamente ligada à sua formação inicial, marcada pela prática da capoeira, que influenciou tanto sua expressão corporal quanto sua compreensão de ritmo e movimento. Ao longo do disco, Elsinha explora episódios pessoais e familiares, compondo um retrato que atravessa infância, vida adulta e experiências de deslocamento. A temática da imigração, da identidade e da busca por pertencimento aparece como eixo estruturante, reforçando o caráter autobiográfico do projeto. Leia tambémÍcone da música brasileira, Sonia Santos volta aos palcos brasileiros aos 82 anos Nesse contexto, o fado emerge como uma referência afetiva importante, ligada à herança portuguesa de sua família. Inicialmente associado a certo constrangimento, o gênero passa a ocupar espaço mais central em sua trajetória recente. “Isso vem da minha mãe, apaixonada pelo fado. Era o sonho dela ser cantora, mas não era muito bem valorizado naquela altura. Meu bisavô era acordeonista e não funcionou, não deu muito certo. Então depois a família cortou um pouco a música, mas tinha um apego, tinha uma alma do fado muito forte", diz. "Quando eu canto, eu tenho, não vou dizer essa dor que leva o fado, mas um pouco de sofrimento e um pouco de saudade também no fado que eu gosto. Hoje em dia eu reconectei com isso, porque antes eu tinha um pouco de vergonha de falar que escutava fado. Reconectei há pouco tempo, há um ano, dois anos, com o fado. E também a liberdade de mulher, porque teve a ditadura também em Portugal. Eu cresci numa família bastante ...
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  • Paris: Luiz Martins imprime vestígios do ‘homem primário’ brasileiro em porcelana icônica de Limoges
    Jun 8 2026
    O artista visual Luiz Martins apresenta, a partir deste sábado (6), em Paris, a exposição “Nhorinhá”, na Galeria Ricardo Fernandes. Nascido em Machacalis (MG), o artista reúne pinturas, esculturas e instalações para discutir a história do Brasil sob uma perspectiva pós-colonial, com foco nos vestígios do “homem primário” brasileiro. A mostra propõe reescrever narrativas coloniais ao intervir em objetos franceses e tensionar conceitos como memória, território e identidade. Luiz Martins abre a exposição a partir de um título que carrega uma referência literária de peso no cânone brasileiro. “Esse nome vem do livro [Grande] Sertão Veredas, do Guimarães Rosa, e quando eu trabalho um projeto, eu sempre procuro colocar títulos que despertam curiosidade nas pessoas”, afirma o artista. A escolha dialoga com a tradição do escritor mineiro de criar palavras e deslocar sentidos, ao mesmo tempo em que Martins articula esse gesto com sua própria pesquisa: “o Guimarães Rosa foi um grande criador de palavras. E aí, juntando ‘Nhorinhá’ com a minha pesquisa de arqueologia e antropologia, criamos esse projeto”, diz o artista visual. A mostra apresenta um conjunto híbrido de linguagens, articulado em torno da ideia de confronto histórico. “Essa exposição foi pensada pelo Ricardo Fernandes e, desde 2025, a gente trabalha junto, e nesse projeto nós trouxemos pintura, escultura e instalação, trabalhando sempre essa questão relacionada do colonizador e do colonizado”, afirma Martins. O galerista, radicado na capital francesa, tem ampliado a presença de artistas brasileiros contemporâneos no circuito parisiense, historicamente influente na legitimação internacional da arte. "Alma de escultor" O trânsito entre linguagens também reflete a própria formação do artista. “Acho que eu nasci com a alma de escultor, com o tridimensional. Eu sou uma pessoa criada na terra, no barro, lá em Minas, lá em Machacalis”, afirma. Para ele, a escultura permite uma relação física que a pintura não alcança: “o que a escultura, a massa, me permite, que a pintura não dá, é sentir, é sentir a força da terra, sentir a força da matéria”, diz Martins, ao explicar a centralidade da materialidade em sua obra. O contexto de origem do artista aparece como elemento estruturante da produção. Nascido em território ligado ao povo indígena Maxakali, Martins trabalha a partir de um espaço que preserva língua e tradições orais, inserido em uma memória que atravessa dimensões indígenas, afro-brasileiras e pós-coloniais. Essa complexidade territorial se traduz em uma abordagem que recusa a narrativa oficial da história brasileira. “Eu sou um artista que quer falar da minha própria história. Eu quero ser sujeito da minha própria história, vendo que o Brasil é contado a partir da visão do colonizador”, afirma. Para ele, o apagamento do período anterior a 1500 continua estruturando o imaginário histórico do país. “O estado não nos permite conhecer a história do Brasil antes disso. E o que eu procuro é mostrar que falar da minha história é falar do meu povo, do meu território”, diz Martins. Leia tambémArtista brasileira reflete olhar decolonial sobre mantos tupinambás em Paris Reescrever a história brasileira A dimensão política da obra aparece de forma direta na pesquisa do artista. “Nada mais significante para mim do que falar desse homem primário brasileiro, algo que nos foi negado desde sempre”, afirma. Ao recorrer à arqueologia e à antropologia, Martins tenta reconstruir uma narrativa que antecede a colonização europeia, deslocando o eixo da história nacional. A abordagem ganha forma concreta em uma das principais instalações da exposição, construída a partir de objetos franceses. “Quando o Ricardo e eu pensamos nesse projeto, a gente pensou como desenvolver um trabalho estando nesse território, que foi um país colonizador”, afirma. O artista se define como um “arqueólogo da cidade”, buscando materiais que dialoguem com o contexto local. Foi nesse processo que surgiram os pratos de Limoges, tradicional porcelana francesa do início do século 20. “Eu saí pelas ruas de Paris garimpando, buscando essa matéria”, diz. A escolha do objeto carrega tanto valor simbólico quanto histórico, já que "a porcelana é associada à tradição europeia e à circulação de bens culturais durante o período colonial". Ao intervir nos objetos, o artista propõe uma inversão narrativa. “Quando eu pego essa matéria e faço uma intervenção, eu estou trabalhando uma questão que para mim é muito importante politicamente, que é fazer um apagamento da memória do colonizador e sobrepor a história do meu povo”, afirma. A operação se aproxima da ideia modernista de antropofagia, reinterpretada em chave contemporânea. Martins vai além da representação do indígena contemporâneo e busca referências mais ...
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  • 'Cinemateca Negra' lista mais de mil obras e desafia história oficial do audiovisual brasileiro
    Jun 4 2026
    A cineasta e produtora cultural Fernanda Lomba lançou a publicação "Cinemateca Negra", livro que reúne mais de mil filmes realizados por pessoas negras entre 1949 e 2022 e propõe uma reorganização inédita da memória do cinema nacional. Em entrevista à RFI em Paris, a fundadora do Instituto Nicho 54 afirma que o projeto altera de forma estrutural a forma de pensar o setor. Fernanda Lomba apresenta a "Cinemateca Negra" como uma inflexão no modo de compreender o cinema brasileiro, ao consolidar um acervo até então disperso e, muitas vezes, invisibilizado. “[O livro] muda exatamente a organização desse pensamento e a organização da memória negra no cinema brasileiro. O que me permite, inclusive, ter a expectativa de que muda a forma como a gente pensa cinema brasileiro”, afirma. Segundo ela, o levantamento, que reúne 1.104 obras produzidas entre 1949 e 2022, estabelece uma referência incontornável para pesquisadores, gestores e realizadores, além de tensionar leituras consolidadas sobre a história do audiovisual no país. Leia tambémAntônio Pitanga e a polêmica do Oscar: “No Brasil, personagem negro nem tem família” Ao estruturar essa memória, o projeto também se projeta como ferramenta de reorganização do debate contemporâneo no setor. “Agora, com um documento que é uma fonte incontornável, não é possível ignorar qual tem sido a contribuição negra à criação e ao pensamento de cinema brasileiro nas últimas sete décadas”, diz Lomba. Para a cineasta, o impacto ultrapassa a dimensão simbólica e alcança temas concretos, como financiamento, acesso e políticas culturais. “Reposiciona, para a nossa contemporaneidade, uma nova forma de pensar cinema, de fazer cinema e, consequentemente, de discutir formas de financiar o nosso cinema.” Embora conte com menção institucional na abertura da publicação, a iniciativa não é estatal, ressalta Lomba. “A Nicho 54 tem buscado uma autonomia de projeto, enquanto organização brasileira, que vem trabalhando a partir de um pensamento negro brasileiro”, afirma. Segundo ela, a parceria com o Ministério da Cultura tem caráter simbólico, sem comprometer a independência metodológica e política do trabalho. “Foi importante contar com algumas palavras da ministra pela sua representação simbólica, mas isso não é uma iniciativa pública do Ministério da Cultura.” Leia também“O cinema me deu cidadania”: Antônio Pitanga é homenageado no Festival de Cinema Brasileiro de Paris A própria existência de um acervo dessa natureza expõe um apagamento histórico persistente, avalia Lomba. “A nossa existência vinha sendo ignorada”, diz. Ao comentar a baixa familiaridade do público com cineastas negros de gerações anteriores, ela aponta para dinâmicas estruturais do campo cultural. “Tem a ver com todo um ecossistema de poder dentro do próprio campo do cinema, que decide quem deve ou não deve fazer parte da história oficial da produção artística e simbólica.” Nesse sentido, a "Cinemateca Negra" surge como resposta direta a um processo de exclusão que, segundo a cineasta, ainda se manifesta de forma concreta. “Esse projeto não existiu antes por uma persistência colonial, de apagamento”, afirma. Para ela, a recepção da iniciativa em 2024 indica que há hoje maior disposição para reconhecer essa lacuna histórica, embora o problema esteja longe de ser superado. A discussão ganha contornos mais concretos quando confrontada com dados recentes do setor audiovisual. Ao comentar estatísticas da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que indicam forte concentração de diretores brancos em produções de maior orçamento, Lomba destaca a importância de pesquisas sistemáticas. “A maior dificuldade é materializar uma experiência violenta que qualquer artista ou empresário negro no Brasil sabe que existe”, afirma. Segundo ela, a ausência de dados contribui para a desqualificação do debate público. Financiamento e estrutura Para a produtora, o enfrentamento das desigualdades passa necessariamente pela revisão dos mecanismos de financiamento. “Se a gente não tiver condições de rediscutir como a distribuição de financiamento se organiza, não há nenhuma outra discussão artística que vai ter condições de se estabelecer”, afirma. Lomba observa que o setor audiovisual brasileiro depende majoritariamente de recursos públicos, o que torna ainda mais urgente a revisão de critérios e políticas de acesso. Nesse contexto, a "Cinemateca Negra" desempenha também uma função estratégica, ao fornecer dados e evidências que podem orientar decisões institucionais. “Me interessa muito poder olhar para o futuro de uma forma totalmente diferente do que foi feito até agora, incluindo a discussão financeira”, diz. A publicação, bilíngue e estruturada em ensaios, infográficos e catálogo de obras, busca justamente ampliar a base empírica do debate. A ...
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