RFI Convida cover art

RFI Convida

RFI Convida

By: RFI Brasil
Listen for free

Entrevistas diárias com pessoas de todas as áreas. Artistas, cientistas, professores, economistas, analistas ou personalidades políticas que vivem na França ou estão de passagem por aqui, são convidadas para falar sobre seus projetos e realizações. A conversa é filmada e o vídeo pode ser visto no nosso site.France Médias Monde Social Sciences
Episodes
  • Música bilíngue lançada nas redes viraliza e muda trajetória de estudante brasileira em Paris
    Jun 27 2026

    Fernanda Coelho, uma brasileira de 25 anos que faz mestrado em Paris, conquistou um sucesso inesperado na música e já começa a tocar em rádios francesas. A partir de um projeto pessoal, a jovem lançou a canção “Clichê”, que rapidamente acumulou quase 2 milhões de visualizações nas redes sociais e milhares de streams.

    A artista aposta em uma sonoridade pop bilíngue, combinando português e francês e incorporando referências musicais dos dois países. Com a rápida viralização, a jovem natural de São Paulo assinou contrato com uma gravadora alemã e prepara novos lançamentos.

    Apesar da surpresa, a relação com a música é antiga. “Eu comecei a cantar muito cedo, com cinco anos, já me apresentando em palco com o incentivo dos meus pais. Eu acho que tem coisas que a gente não explica. Às vezes a gente tem um amor, um talento. Eu era aquela aluna que preferia estar se apresentando no recreio”, conta.

    Na hora de escolher o rumo profissional, Fernanda acabou optando pela arquitetura, e o caminho acadêmico se tornou a via mais segura. A jovem foi a Paris continuar os estudos, em um mestrado na área.

    Já o viés musical ressurgiu após conhecer o atual namorado, o produtor musical francês Ulysse Molho, que reacendeu nela a vontade de voltar a cantar. “Ele me convidou para o estúdio para nos divertirmos e para eu ‘desbloquear’ um pouco, já que eu não cantava desde que entrei na faculdade”, explica.

    Primeira composição de forma natural

    Foi nesse contexto despretensioso que surgiu “Clichê”. A ideia era clara: reunir as duas culturas que hoje fazem parte da vida da artista. A canção mistura referências como o funk brasileiro e influências da música eletrônica francesa, como Daft Punk. “A música saiu na terceira tentativa de melodia”, lembra Fernanda.

    “O Brasil é muito ‘trend’ no exterior, mas as pessoas ainda não conhecem a cultura profundamente, e eu quero apresentar isso. Acho que é muito interessante misturar o pop brasileiro com o pop francês. Acho que é um casamento perfeito: o pop francês tem uma batida única e o brasileiro tem uma vibração especial”, opina Fernanda.

    Ela conta que, inicialmente, o plano era somente postar a faixa nas redes sociais. “Não tínhamos intenção de lançar, até porque estou no meio do meu mestrado”, diz. Mesmo assim, a canção ganhou forma em português e francês.

    “Cheguei a fazer cover no YouTube com 16 anos, mas foi a primeira música que compus. Escrevi a base inteira em português, que é mais natural para expressar meus sentimentos”, explica. “Hoje, para mim, é tão natural passar do português para o francês que senti que isso deu um toque especial, porque não é forçado, reflete os dois mundos que estou vivendo.”

    Viralização orgânica

    O sucesso veio de forma orgânica e vertiginosa. “Passamos de apenas família e amigos curtindo para subir mil seguidores por dia”, conta. Em poucos dias, o projeto saiu do anonimato para ter milhares de seguidores. “Quando passou de 200 para 10 mil seguidores em uma semana, vimos que algo estava acontecendo ali.”

    Os números confirmaram a percepção: passada uma semana, 100 mil streams no Spotify foram alcançados. “Meu produtor avisou que isso é raro para uma artista iniciante.”

    Em seguida, veio o interesse de gravadoras e produtoras, que culminou em um contrato com o selo alemão Bamboo Artists.

    Agora, com novos lançamentos previstos, Fernanda quer seguir explorando a mistura cultural que marcou sua estreia, explorando ritmos brasileiros.

    Para ela, a proposta vai além da estética sonora: trata-se de identidade.

    “A música é uma maneira de explorar minha experiência como estrangeira, fazendo relações entre as diferenças do Brasil e da França.”

    A autenticidade é central no seu projeto, já que Fernanda acredita que o mais importante é “colocar a alma, especialmente com o crescimento da inteligência artificial” no meio artístico.

    Dividida entre o fim do mestrado e o início da nova fase artística, a artista ainda mantém os pés nos dois mundos, mas já sabe qual escolher, se for preciso. “Se eu conseguir viver disso e continuar no projeto, não tenho dúvidas do que escolheria.”

    Show More Show Less
    6 mins
  • 'A alma é carioca, o corpito é português': Roberta Medina fala sobre o presente e o futuro do Rock in Rio Lisboa
    Jun 26 2026
    À sombra do Tejo, com uma “brisa carioca”, o Rock in Rio Lisboa se prepara para seu último fim de semana de shows. Enquanto milhares de fãs aguardam as apresentações que encerram mais uma edição do festival, a vice-presidente executiva do evento, Roberta Medina, recebeu a RFI para uma conversa descontraída durante o tradicional evento-teste que antecede a abertura dos portões. Lizzie Nassar, correspondente da RFI em Lisboa Entre histórias de bastidores, comparações entre Brasil e Portugal e planos para ampliar a presença internacional do festival, Roberta mostrou por que o Rock in Rio continua sendo muito mais do que uma sequência de concertos. "A alma é carioca, o corpito é português", resumiu, sorrindo, ao olhar para o novo recinto instalado às margens do Tejo. O espaço, que pode receber até 100 mil pessoas por dia, representa uma nova fase para o festival em Portugal. "É um lugar muito especial. Tem uma energia maravilhosa. A expectativa é de dias quentes, então estamos reforçando algumas mensagens importantes para o público: usar transporte coletivo, vir com roupa leve, sapato confortável e beber bastante água", recomenda. O ensaio geral antes da multidão Antes da chegada das dezenas de milhares de espectadores, o festival realiza um evento-teste. Embora pouco conhecido pelo público, ele é fundamental para o funcionamento da operação. "Só que abrir as portas sem testar é como bater prego no escuro", brinca Roberta. Ela explica que o objetivo é colocar toda a estrutura para funcionar simultaneamente antes da estreia oficial. "O evento-teste ajuda a descobrir se há uma fuga de água, um problema numa estrutura ou alguma questão operacional. Depois que entram milhares de pessoas, já não existe mais ensaio". A dimensão impressiona: mais de 15 mil profissionais são credenciados para trabalhar no festival e cerca de 10 mil entram diariamente para fazer a máquina funcionar. "Tem muita regra para uma coisa deste tamanho dar certo. Desde saber qual portão usar até conferir se a credencial está correta". Quem imagina que a executiva conhece todos os segredos dos artistas pode se surpreender. Questionada sobre as participações especiais que costumam marcar o Rock in Rio, Roberta revelou que muitas vezes também é pega de surpresa. "Comigo acontece imenso", conta, usando uma expressão típica do português europeu. "Às vezes sobe alguém ao palco e eu penso: 'Olha!' Depois digo para a equipe: 'Mas por que não me contaram? Eu podia ter aproveitado isso na comunicação'." Mesmo assim, ela admite gostar do fator surpresa. "Eu gosto de ser surpreendida. Faz parte da magia." O mesmo Rock in Rio, mas diferente Ao longo dos seus 22 anos em Portugal, o Rock in Rio Lisboa construiu uma identidade própria. Ainda assim, segundo Roberta, a essência permanece a mesma. "Eles são muito diferentes e, curiosamente, são o mesmo Rock in Rio", Roberta Medina, vice-presidente executiva do evento. A executiva lembra que o festival brasileiro nasceu em 1985 e se tornou um marco histórico e cultural. "O Rock in Rio Brasil não é apenas um evento incrível. Ele é um fato histórico." Já em Lisboa, a trajetória começou em 2004. "Aqui ele é um evento incrível que cresce pela Europa. Não tem a mesma história de 1985, mas já começa a deixar marcas importantes na indústria portuguesa". Brasileiros e portugueses: energias diferentes Um dos momentos mais divertidos da entrevista aconteceu quando a conversa chegou ao comportamento do público. Roberta não esconde o carinho pelos dois lados do Atlântico, mas reconhece diferenças. "Os portugueses são muito calorosos. Os artistas adoram tocar aqui. Mas o ritmo e a energia do brasileiro estão um andar acima." Ela ri ao imaginar uma situação comum em festivais lotados. "Se você pedir para 90 mil portugueses darem um passinho para o lado, eles vão. No Brasil... esquece". A observação vem da experiência acumulada em décadas de organização de grandes eventos. "Em termos de operação, aqui tudo é mais suave." O impacto econômico Além da música, o Rock in Rio também movimenta a economia portuguesa. Segundo dados citados por Roberta Medina, um estudo realizado após a última edição apontou um impacto de cerca de 120 milhões de euros em apenas quatro dias de evento. "É uma coisa impressionante". O perfil dos visitantes reforça esse peso econômico. "60% do público vem de fora da Grande Lisboa e 80% de fora da cidade. Temos pessoas de 125 países." A internacionalização aparece agora como uma das grandes apostas da organização. "Hoje recebemos entre 16 e 17 mil visitantes internacionais. Esse número pode ser triplicado ou quadruplicado com tranquilidade". Segundo ela, quanto maior for a presença de turistas estrangeiros, maior será o retorno para a cidade. "Isso amplia o impacto econômico, fortalece o turismo e deixa mais recursos em Lisboa". Um festival que continua crescendo Ao entrar...
    Show More Show Less
    7 mins
  • Única mulher no TSE, Estela Aranha defende representatividade e denuncia violência de gênero
    Jun 16 2026
    A ministra do Tribunal Superior Eleitoral Estela Aranha falou à RFI, em Lisboa, sobre os desafios da participação feminina na política, o avanço da violência contra mulheres nas redes sociais e os impactos da inteligência artificial nas eleições brasileiras. Desde sua posse, em agosto de 2025, ela é a única mulher entre os ministros titulares. Lizzie Nassar, correspondente da RFI em Lisboa As mulheres representam cerca de 52% do eleitorado brasileiro, mas continuam sub-representadas nos espaços de poder. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, entre 2016 e 2022, elas responderam por apenas um terço das candidaturas registradas e ocuparam somente 15% dos cargos conquistados nas urnas. É nesse contexto que a advogada paulista Estela Aranha integra o Tribunal Superior Eleitoral. Especialista em direitos digitais, ela atuou como assessora da Presidência do TSE antes de assumir a vaga destinada à classe dos juristas. Também foi secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, integrou o Conselho de Alto Nível das Nações Unidas sobre Inteligência Artificial e presidiu a Comissão Especial de Proteção de Dados do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. O TSE é composto por sete ministros: três oriundos do Supremo Tribunal Federal, dois do Superior Tribunal de Justiça e dois representantes da classe dos juristas, indicados pelo presidente da República. Atualmente, entre os membros titulares da Corte, Estela Aranha é a única mulher. Em entrevista à RFI durante um evento realizado em Lisboa, a ministra afirmou que a representatividade feminina continua sendo um desafio dentro das instituições brasileiras. “Eu sou a única mulher que vai compor [o tribunal]. A sociedade é igualitária no número das mulheres e acho que tem que ter representatividade”, afirmou. Para ela, a presença feminina nos espaços de decisão não se limita à defesa de pautas voltadas às mulheres. Segundo a ministra, a diversidade de experiências e trajetórias contribui para ampliar perspectivas em todos os temas debatidos dentro das instituições. “Acho que tem que ter mulher julgando sobretudo todos os temas. Você traz sua vida, sua experiência, seus backgrounds, e isso influencia a forma como você vê as questões”, disse. Violência política e ataques às mulheres Apesar dos avanços observados nos últimos anos, a participação feminina na política ainda enfrenta obstáculos importantes. Nas eleições de 2022, apenas 18% dos eleitos para cargos legislativos foram mulheres. Entre os principais desafios apontados por Estela Aranha está o aumento da violência política de gênero, especialmente no ambiente digital. “Estou vendo a violência política contra a mulher e contra mulheres jornalistas nas redes aumentando muito”, alertou. A ministra destacou que a violência direcionada às mulheres costuma assumir características diferentes daquela enfrentada pelos homens em posições públicas. “Quando xingam uma mulher, o ataque geralmente é moral. Muitas vezes envolve aspectos sexuais e pessoais muito graves”, afirmou. Segundo ela, esse tipo de violência pode desestimular a participação feminina na política e em posições de liderança, além de dificultar a permanência das mulheres em espaços de poder. Aranha também chamou atenção para as dificuldades de conciliar responsabilidades profissionais e pessoais. Na avaliação da ministra, a sobrecarga relacionada ao cuidado da família e da casa ainda recai majoritariamente sobre as mulheres, limitando suas oportunidades de ascensão. Inteligência artificial e eleições de 2026 Além da questão da representatividade feminina, a ministra abordou um dos temas que devem marcar o próximo ciclo eleitoral brasileiro: o avanço da inteligência artificial generativa. Para ela, a tecnologia cria desafios inéditos para a Justiça Eleitoral, especialmente no combate à desinformação e à manipulação de conteúdos durante as campanhas. “A inteligência artificial generativa é um desafio novo. A Justiça Eleitoral tem tradição de se antecipar a muitas questões tecnológicas porque os impactos costumam aparecer primeiro nas eleições”, afirmou. A ministra defendeu a necessidade de aperfeiçoar mecanismos de monitoramento e regulação, sem comprometer a liberdade de expressão e o debate político. “Tem conteúdos que são considerados ilegais pela Justiça Eleitoral e haverá atuação quando isso for necessário. Mas o debate político é importante e a liberdade de expressão continua sendo um valor fundamental”, disse. Segundo ela, um dos grandes desafios será adaptar ao ambiente digital princípios já consolidados no sistema eleitoral brasileiro, como a garantia de igualdade de condições entre os candidatos. Experiência brasileira vira referência internacional Estela Aranha também destacou o papel desempenhado pelo Brasil na construção ...
    Show More Show Less
    6 mins
adbl_web_anon_alc_button_suppression_t1
No reviews yet