• afinal, escrever paga as contas?
    Jun 11 2026

    #142 – Afinal: um escritor pode viver de sua escrita? E sob quais condições?

    Que fique claro: ninguém abraça a literatura para ficar rico. Se esta é a sua única intenção, recomendo que busque outros caminhos, menos incertos. Escrevemos porque amamos os livros, e é saudável para a sua escrita que continue assim.

    Se você me acompanha, sabe que raramente trato do tema dinheiro e vida artística, por mais importante que eu o considere. Em primeiro lugar, porque não sou e não quero ser mais um influencer que se vale das nossas angústias fiduciárias para alavancar-se, como a legião que há por aí no seu feed. Em segundo lugar, porque é muito fácil ser mal interpretado quando tratamos desse tema em complexidade – as pessoas facilmente encontram um modo de encaixar algo que dissemos em determinada caixinha interpretativa. Existem tantos preconceitos e melindres sobre dinheiro (e seus desdobramentos – merecimento, exclusão, comparações etc.), ele é tão carregado de distorções, que acabo concluindo que teria de escrever um ensaio mais longo apenas para começar a conversa.

    Só que também acho que não falar de dinheiro e vida artística acaba reiterando um certo pudor, um recato farisaico sobre o tema. Ainda que não considere a literatura uma carreira, mas um ofício (podemos vender livros, mas não a alma que os enseja; a insubordinação ao tempo da produção moderna é tremendamente necessária), tentar preservá-la na categoria de ofícios intocáveis no fundo nos distancia do que fazemos, e acho isso um erro e um problema.

    Também acho que não é porque amo o que faço que não possa receber por isso. Eu amava atender em consultório, quando trabalhava como psicólogo; por que não deveria ganhar dinheiro com isso? E por que não pode ser o mesmo com a escrita? Nem toda atividade direta ou indiretamente remunerável é alienada (todo um capítulo sobre isso...).

    Mais: conheço muita gente que, assim como eu, vive de atividades ligadas à escrita. Uns vivem melhor do que outros. Ou seja: é possível. Existem caminhos, mais do que há vinte ou trinta anos. E se é verdade que quem tenta te convencer de que sabe como vender 500.000 exemplares de seu romance é um charlatão (ainda que esta pessoa tenha ela própria vendido essa quantidade), também sei que, com um bom livro e algum conhecimento, não é tão difícil vender 1.000 exemplares de seu livro na pré-venda (ou seja, antes do lançamento). Em outras palavras: há um conhecimento (como em qualquer ofício), e vale a pena adquiri-lo.


    Esse é o tema do nosso vídeo da semana e do novo episódio de Prelo. Na segunda parte do Prelo, falamos sobre o livro Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga.

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    35 mins
  • Por que, afinal, você não realiza seus sonhos.
    May 28 2026

    #141 –

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    19 mins
  • Como estar presente
    May 14 2026

    #140 – Se existe uma coisa em comum entre bons livros, esta coisa é a atenção aos detalhes.

    Os detalhes da frase. A escolha das palavras. A singularidade das analogias. As metáforas, a coesão da obra como um todo, fruto do trabalho, da carpintaria reflexiva.

    Os sinais inevitáveis de que o autor fez do livro uma casa, e deixou ali marcas de convívio e de experiências.

    O tempo da escrita pode ser visto, também, como uma viagem a uma terra estrangeira.

    Se você passa três dias de um feriado em uma cidade, terá um conjunto de impressões muito semelhantes à maioria das pessoas. Seu ponto de contato com o leitor terá como base a identificação pelo lugar comum, pela generalização apressada.

    Agora, se você se lança, se entrega, convive com o frio do território desconhecido pelo tempo que achar suficiente, se procura entendê-lo, contemplá-lo, se experimenta ali distintas abordagens, a sua prosa – seja de ficção, seja de não ficção, se tornará infinitamente mais rica.

    Como fazer isso?

    No novo episódio do Prelo, trato da atenção aos detalhes, da importância essencial da presença no ato de escrever.

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    33 mins
  • O Caos Criativo
    Apr 30 2026

    #139 – Muitas vezes, a nossa miséria nasce de não podermos corresponder a ideais muito elevados que estipulamos para nós mesmos. Do que a vida deveria ser, de como os outros precisam se portar, de uma aura impossível que o nosso ofício dos sonhos precisa carregar.

    Nesses últimos tempos, tenho trabalhado ativamente em um livro, que – espero – deve ficar pronto no início do segundo semestre.

    O momento de costura da escrita é o de um sentimento oceânico. Sinto muito prazer em dialogar internamente com as experiências e leituras de que trato no livro. A escrita é uma terapia, para mim, uma meditação. E por isso mesmo, nesse momento, tenho me permitido prescindir tanto de meditação quanto de terapia.

    Mas as condições da escrita não poderiam ser menos ideais. O percurso tampouco é o de uma linha reta. Não seria a primeira vez que descobrimos que o caos pode ser produtivo, e que algumas restrições podem oferecer um ótimo enquadre para a criação.

    Toda história guarda uma segunda – a de como a primeira foi contada.

    O making off. A produção. O processo. A cozinha da escrita.

    No novo episódio de Prelo, procuro desconstruir os ideais que podem estar no caminho de um encontro feliz com o próprio projeto literário.

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    28 mins
  • Como estruturar o seu livro
    Apr 15 2026

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    #138 – Pouca coisa no trabalho da escrita é mais mal compreendida do que a estruturação de um livro.

    Muita gente confunde estrutura com supressão de liberdade criativa.

    Toda arte tem o seu enquadre. Teatro, dança, pintura. A escrita não é diferente.

    Mesmo que um ator deseje levar o seu teatro para as ruas, dificilmente irá considerar o palco um constrangimento a sua arte.

    A estrutura de um livro é o palco do escritor. É a sua tela em branco. É como a cidade para o arquiteto.

    Muita gente se perde na escrita do próprio livro porque desperta todo dia sem saber o que vai escrever.

    O livro vai para qualquer lado e perde a forma quando não sabemos distinguir a flauta do capricho da música do destino. E é a estrutura preliminar que irá apontar o caminho.

    Se você…

    🛎️ Tem dificuldade para estruturar o seu livro;

    🛎️ Costuma se perder na hora de escrever;

    🛎️ Retoma o projeto indefinidamente;

    🛎️ Sente que não sabe como desenvolver um projeto autoral;

    ... recomendo que assista a este novo episódio de Prelo.

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    24 mins
  • Como buscar a simplicidade na escrita
    Apr 2 2026

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    25 mins
  • O que fazer com os clássicos?
    Mar 19 2026

    #136 – Você não leu Guimarães Rosa nem Proust. Perdeu a aula de Homero. Não ouviu falar em Tucídides.

    Talvez tenha lido é um ensaio de Schopenhauer afirmando que o escritor, se é de verdade, mesmo, precisa ser afiado em latim.

    Os livros pendem sobre a sua cabeça. Os clássicos. Obras vultuosas, de autores categóricos, peremptórios, aparentemente tão certos de si. Agora um tanto calcificados pela poeira que acumulam.

    Eis que chega a vida adulta, e as lembranças desencontradas dessa memória de leituras sem método (Drummond se repreendia por ter lido sem método; mas que método, Carlos?).

    E você quer escrever. Palmilhar a vereda das palavras. Voltar a cantar a língua materna. Dar nome a experiências anônimas. Mas avança em marcha insegura; carregado, com medo da picada de aranha, de cobra, do erro, do clichê, do "não saber que não sabe".

    A pergunta: se quero escrever, devo ler os clássicos? Quais? De que maneira? Esse constrangimento diante da literatura será infundado?

    Que a leitura é a base da escrita, já sabemos. Mas de que modo?

    Como ler os clássicos? O que fazer com eles?

    Esse é o tema do novo episódio do Prelo.

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    30 mins
  • Como Transformar uma Tese em um Livro – Os Três Maiores Equívocos
    Mar 5 2026

    #135 – Como transformar um projeto que está guardado na gaveta — uma tese, uma dissertação, um ensaio acadêmico ou mesmo anos de prática profissional — em um livro capaz de alcançar leitores fora da universidade?

    O que precisa mudar quando um texto deixa de falar apenas para especialistas e passa a dialogar com o público amplo?

    E por que tantos autores altamente qualificados tropeçam justamente nesse momento de transição — quando tentam transformar conhecimento sólido em um livro vivo, curioso, capaz de ampliar horizontes e despertar perguntas no leitor?

    Neste episódio, vamos falar sobre os equívocos mais comuns que aparecem nesse processo: erros de forma, de estrutura, de tom. Erros derivados de anos de escrita acadêmica.

    Se você quer se libertar de uma linguagem acadêmica, do formato impessoal e reiterativo da validação institucional, e quer entender a lógica das publicações de não ficção – biografias, ensaios, divulgação científica – não perca esse papo. :)

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    32 mins