O que fazer com os clássicos?
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#136 – Você não leu Guimarães Rosa nem Proust. Perdeu a aula de Homero. Não ouviu falar em Tucídides.
Talvez tenha lido é um ensaio de Schopenhauer afirmando que o escritor, se é de verdade, mesmo, precisa ser afiado em latim.
Os livros pendem sobre a sua cabeça. Os clássicos. Obras vultuosas, de autores categóricos, peremptórios, aparentemente tão certos de si. Agora um tanto calcificados pela poeira que acumulam.
Eis que chega a vida adulta, e as lembranças desencontradas dessa memória de leituras sem método (Drummond se repreendia por ter lido sem método; mas que método, Carlos?).
E você quer escrever. Palmilhar a vereda das palavras. Voltar a cantar a língua materna. Dar nome a experiências anônimas. Mas avança em marcha insegura; carregado, com medo da picada de aranha, de cobra, do erro, do clichê, do "não saber que não sabe".
A pergunta: se quero escrever, devo ler os clássicos? Quais? De que maneira? Esse constrangimento diante da literatura será infundado?
Que a leitura é a base da escrita, já sabemos. Mas de que modo?
Como ler os clássicos? O que fazer com eles?
Esse é o tema do novo episódio do Prelo.
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