O primeiro podcast discute o primeiro estudo brasileiro sobre crioablação no tratamento do câncer de mama - FIRST STUDY. Este foi um estudo prospectivo queavaliou a eficácia patológica e a segurança da crioablação guiada por ultrassom em pacientes com carcinoma invasivo de mama unifocal ≤2,5 cm, seguida de ressecção cirúrgica em 14–28 dias. Entre 48 pacientes avaliáveis, a taxa deablação invasiva completa foi 97,9% (100% para tumores ≤2,0 cm por ressonância), e a taxa global de ablação (invasiva + DCIS) foi 89,6%; apenas um caso (2,1%) apresentou resíduo invasivo. DCIS residual ocorreu em 12,5% (média 2,2 mm). A ressonância mostrou alto valor preditivo negativo (93,0%) enquanto ultrassom e mamografia foram menos precisos. Procedimento foi seguro, com uma complicação leve. Conclui-se que a crioablação é tecnicamente eficaz e bemtolerada em pacientes criteriosamente selecionados, especialmente tumores ≤2,0 cm, mas não substitui cirurgiapadrão sem confirmações em ensaios randomizadosde longo prazo.
O segundo podcast discute o estudo SOFT E TEXT, com o objetivo de avaliar os desfechos a 15 anos dos ensaios defase III em mulheres pré‑menopáusicas com câncer de mama hormonodependente, comparando tamoxifeno (T), supressão da função ovariana (OFS) associada atamoxifeno (T+OFS) e exemestano com OFS (E+OFS).
Resultados principais: Em SOFT, T+OFS reduziu recorrência de câncer em relação a T (15 anos: BCFI 75,7% vs 72,1%; HR 0,82, P=0,03) e E+OFS teve maior redução (BCFI 78,6%; HR vs T 0,70). Na análise combinada SOFT+TEXT, E+OFS reduziurecidiva distante versus T+OFS (HR 0,75) e mostrou tendência a menor mortalidade, com benefício absoluto de sobrevida concentrado em subgrupos de alto risco (idade muito jovem, tumores grau 3 ou recebimento prévio de quimioterapia). Em coortes de menor risco sem quimioterapia, a sobrevida global permaneceuelevada (>94%). Em fim, OFS adicionada ao ET adjuvante reduz recorrência; exemestano+OFS reduz também recidiva distante. Ganho de sobrevivência global é relevantesobretudo em subgrupos pré‑menopáusicos de alto risco, enquanto muitas pacientes de baixo risco não se beneficiam em termos de sobrevida.
Link para acesso aos artigos:
https://live.makadu.group/bbn_podcast_11062026