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By: RFI Brasil
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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

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  • Irlanda assume presidência da UE e tenta avançar em orçamento e relações com EUA
    Jul 1 2026
    A Irlanda assume nesta quarta-feira, 1º de julho, a presidência rotativa do Conselho da União Europeia por seis meses. As prioridades do programa anunciado pelo Taoiseach (primeiro-ministro), Micheál Martin, no Castelo de Dublin, estão centradas em três pilares: competitividade, valores e segurança. Entre os principais desafios estão a negociação do próximo orçamento do bloco até o fim do ano e a tentativa de estabilizar as relações com os Estados Unidos. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa Sob o mote “a força está na união”, a Irlanda assume o comando do bloco europeu em um momento crítico, marcado por desafios geopolíticos e econômicos intensos. Já neste primeiro dia da presidência irlandesa, Bruxelas dobra a tarifa de importação do aço para 50%, para proteger a indústria siderúrgica europeia. Na terça-feira (30), na Cúpula do Mercosul realizada no Paraguai, o anfitrião da reunião criticou as “assimetrias” do acordo de livre comércio com a União Europeia. A distribuição de cotas de exportação com preferências tarifárias no bloco regional para os produtos destinados à UE é um peso sobre os ombros do Mercosul, que precisa decidir como repartir esse volume entre seus países integrantes. Nesse cenário de tensões comerciais e negociações delicadas com parceiros estratégicos, a Irlanda está comprometida a “entregar” uma presidência bem-sucedida, e a previsão de gastos é bastante elevada, em torno de €300 milhões. Quase metade desse orçamento deve ser destinada a protocolos de segurança, já que o país é neutro e precisa reforçar sua capacidade para receber uma série de visitas de alto nível. Em novembro, por exemplo, líderes de 47 países devem participar de uma reunião da Comunidade Política Europeia em território irlandês. Desafios As negociações sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual, ou seja, o orçamento do bloco para o período de 2028 a 2034, são um dos grandes desafios desta que é a oitava vez em que a Irlanda assume a presidência rotativa da UE. Dublin terá que intermediar negociações ferozes que opõem os países que menos gastam aos maiores contribuintes comunitários. Os irlandeses deverão preparar uma “caixa de negociação” a ser discutida pelos líderes do bloco em outubro, com o objetivo de alcançar um acordo global até dezembro. A proposta orçamentária da Comissão Europeia, estimada em quase €2 trilhões, orienta os principais investimentos do bloco – da agricultura à defesa – para os próximos sete anos. Outro dossiê sensível será o possível alargamento da União Europeia. Montenegro é o país com mais chances de aderir ao seleto grupo de Bruxelas, enquanto Albânia, Moldávia e Ucrânia também devem registrar progressos nas negociações. No que se refere à guerra na Ucrânia, a Irlanda deve manter o apoio à Kiev e pode anunciar o 21º pacote de sanções contra a Rússia. Mediação Dublin deve tentar usar a tradicional ligação com os EUA para restabelecer as relações entre Washington e Bruxelas, estremecidas pela administração Trump. “Existe uma boa vontade em relação à Irlanda nos Estados Unidos; por isso, talvez possamos maximizar os nossos canais com a Casa Branca”, afirmou a embaixadora da Irlanda junto à UE, Aingeal O’Donoghue. Os irlandeses querem mais estabilidade na relação transatlântica, “mais progressos” nas trocas comerciais e soluções para questões relacionadas à indústria farmacêutica. Gigantes do setor, como Pfizer, Eli Lilly, AstraZeneca, Novartis e Sanofi, operam em solo irlandês e geram milhares de empregos. Nas últimas décadas, o país se consolidou como um dos maiores hubs farmacêuticos e de biotecnologia do mundo. Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou a Irlanda por atrair empresas norte-americanas com baixos impostos e “roubar” receitas fiscais que, segundo ele, deveriam ter sido pagas ao Tesouro dos EUA. Aliás, a partir desta quarta-feira, dia 1º, Bruxelas vai eliminar tarifas sobre produtos americanos, em virtude do acordo firmado no ano passado com Washington. O acordo estabelece tarifas de, no máximo, 15% sobre a maioria das exportações da União Europeia para os EUA e taxas zero para produtos industrializados americanos que entrarem no bloco europeu. Maior polo de inovação da UE Tecnologia é uma área vital para a Irlanda, e o país ficou conhecido como o “Vale do Silício da Europa” por abrigar a sede europeia de gigantes do setor, atraídos por incentivos fiscais, como Google, Meta, Apple, Microsoft e OpenAI, entre outros. No segundo semestre deste ano, quando os irlandeses estiverem no comando do bloco, um impasse deve ganhar força: as regras de tecnologia e inteligência artificial (IA) da União Europeia estarão sendo renegociadas. E, segundo o jornal britânico The Guardian, a Irlanda, por seu peso no setor e pelos interesses econômicos ...
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  • Mercosul lança negociações com Japão e amplia rede de acordos comerciais
    Jun 30 2026

    Sob pressão do tarifaço e de medidas unilaterais da administração de Donald Trump, o Mercosul vive uma fase mais ativa e aposta na ampliação de parcerias comerciais. O bloco deve lançar oficialmente, nesta terça-feira (30), a abertura de negociações para um acordo de livre comércio com o Japão, além de anunciar avanços em entendimentos com diferentes regiões do mundo. A 68ª Cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai, reúne sete chefes de Estado da região, de direita e de esquerda.

    Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília

    O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que desembarca na capital paraguaia pela manhã, quer mostrar a força da integração regional, uma de suas prioridades, que vem avançando a partir de acordos comerciais, a despeito da ampliação das lideranças de direita na região.

    A ideia é surfar a boa onda do bloco, impulsionada, em boa medida, pela pressão de Washington com seus tarifaços e pela imposição da lei do mais forte. O governo brasileiro tem pressa. Quer fechar o maior número possível de acordos ainda nesta gestão Lula 3.0.

    Estarão na cúpula Santiago Peña, do Paraguai, o anfitrião; Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador). Também estarão presentes os chanceleres de Colômbia, Chile e Panamá, Estados associados ao Mercosul. Além disso, participam convidados especiais, como representantes dos Emirados Árabes, de Trinidad e Tobago, da Alemanha e do Uzbequistão

    Aproximação com asiáticos e latino-americanos

    O bloco vai lançar formalmente as negociações com o Japão. Os entendimentos com o país estavam travados há décadas. A expectativa é de que a primeira rodada de negociações aconteça dentro de dois a três meses. Também deve ser anunciada a primeira rodada de negociações para um acordo de livre comércio com o Vietnã, em agosto deste ano.

    A cúpula deverá marcar ainda o lançamento das negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Panamá, além de avanços em entendimentos com República Dominicana, Guiana, Suriname e Trinidad e Tobago. O bloco trabalha para a implementação do acordo modernizado com o Chile e para a atualização de instrumentos comerciais com Colômbia e Peru.

    O acordo com o Canadá, que está mais avançado e tinha previsão de conclusão nesta cúpula, ainda precisa ser finalizado. A parte normativa já estaria cerca de 80% concluída. Falta ainda avançar na área de acesso a mercados, o que requer mais tempo. Ainda assim, há expectativa de que esse entendimento, assim como o que está sendo concluído com os Emirados Árabes Unidos, seja anunciado ainda este ano.

    O ingresso da Venezuela no Mercosul, que chegou a ser mencionado pelo vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, e tinha a simpatia da presidência pro tempore do Paraguai, ficou fora da agenda. A avaliação é de que, neste momento, não seria de bom tom, sobretudo diante da tragédia provocada pelo duplo terremoto que matou milhares de pessoas no país. De todo modo, a Venezuela hoje não reúne condições de se adequar às cláusulas do Mercosul.

    Medidas para facilitar circulação e integração

    Entre os avanços mais pontuais previstos para a cúpula está a assinatura do acordo que permitirá o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para ingresso nos países do Mercosul e Estados Associados. Também será firmado um protocolo de reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica, aproximando sistemas digitais como o GOV.BR dos mecanismos adotados pelos demais países do bloco. Há ainda outras frentes em discussão, entre elas o combate ao crime organizado.

    A ideia é mostrar que o bloco continua ativo, trabalhando e atraindo atenção dentro e fora da região. Desde 1º de maio, está em vigor o acordo Mercosul-União Europeia, o maior já firmado pelo bloco dos países do Cone Sul, após um quarto de século de negociações.

    Em entrevista, a secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Gisela Padovan, destacou a relevância estratégica do Mercosul para a América do Sul e para a economia mundial. Segundo ela, o bloco, que reúne 73% do território sul-americano, cerca de 65% da população da região e aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB), completou 35 anos. Desde a sua criação, o comércio intra-regional cresceu 11 vezes, chegando a US$ 51 bilhões no ano passado. O pico ocorreu em 2011, quando atingiu US$ 53 bilhões.

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  • Espanha aprova penas de até dois anos de prisão para 'terapias de conversão'
    Jun 29 2026
    A prática já era proibida na Espanha, sendo tratada, no entanto, apenas como infração administrativa. A reforma a transforma em delito e prevê pena de prisão, além de multa. Ana Beatriz Farias, correspondente da RFI em Madri A Espanha deu um passo importante em direção ao fim das chamadas “terapias de conversão” para pessoas LGBTQIA+. O Congresso do país aprovou na semana passada uma reforma que reconhece a prática como delito. A iniciativa cria um novo artigo no Código Penal e prevê penas de seis meses a dois anos de prisão, além de multa, para quem aplicar ou promover práticas destinadas a modificar, reprimir, eliminar ou negar a orientação sexual, a identidade sexual ou a expressão de gênero de uma pessoa. Isso vale mesmo que a vítima ou seu representante legal tenha dado seu consentimento. A pena será aplicada de maneira mais severa nos seguintes casos: se a vítima for menor de idade; se houver uso de violência, intimidação, engano ou abuso de poder; se o autor pertencer a uma organização ou associação dedicada a essas atividades ou se o delito for cometido com fins lucrativos. A prática das chamadas “terapias de conversão” já é proibida em nível nacional desde 2023 pela chamada Lei Trans, mas, até então, era tratada apenas como infração administrativa. Desde 2016, já havia normativas regionais que também condenavam a prática, considerada pela ONU como profundamente prejudicial. Delito existente, vítima reconhecida A RFI entrevistou Saúl Castro, advogado e presidente da associação espanhola contra as “terapias de conversão” No Es Terapia, uma das principais impulsionadoras da reforma. Atuando desde 2020, a entidade já identificou mais de cem promotores dessas práticas, acompanha cerca de cinquenta vítimas e atua na justiça em mais de vinte casos. Segundo Saúl Castro, se as chamadas “terapias de conversão” não forem consideradas delito, as pessoas submetidas a elas nem sequer podem ser reconhecidas legalmente como vítimas. Isso significa, por exemplo, que essas pessoas não têm acesso a direitos previstos na legislação espanhola, como participar do processo ou pedir indenização. “Em um procedimento administrativo sancionador, a vítima não tem direito de participar e não é reconhecida como vítima. Na Espanha, uma pessoa só tem acesso aos direitos garantidos às vítimas quando é vítima de um delito. Se não for vítima de um delito, legalmente falando, ela não é considerada vítima”, explica o presidente da associação No Es Terapia. Além disso, a criação do novo artigo no Código Penal é fundamental para garantir a punição dessas práticas, que já eram proibidas, mas até agora eram tratadas apenas como uma infrações administrativas – cuja punição, na prática, não vinha sendo aplicada. Nos últimos três anos, o Ministério da Igualdade recebeu 23 denúncias relacionadas às “terapias de conversão”. Dessas, 20 foram arquivadas e apenas três seguem em análise. Homofobia estrutural Antes de o Congresso espanhol reconhecer as chamadas “terapias de conversão” como delito, Saúl Castro, como advogado membro da associação No Es Terapia, tentou encontrar outros caminhos legais para buscar reparação para as vítimas. Entre as possibilidades avaliadas, estavam o enquadramento como delito de ódio ou até como publicidade enganosa – já que essas práticas não têm respaldo científico e prometem uma mudança que, segundo a literatura acadêmica, não é possível. Mas, segundo Castro, todas as alternativas encontraram obstáculos e o fato de essas condutas de “conversão” ainda não serem tipificadas como um delito específico acabava sendo determinante. Em um dos casos levados pela associação à Justiça, tanto a Promotoria de Delitos de Ódio de Madri quanto o tribunal acionado pela entidade entenderam que oferecer terapias de conversão a pessoas que buscassem esse tipo de prática de forma voluntária não configurava crime. A justificativa, na ocasião, era que deveria prevalecer a liberdade individual, segundo conta o advogado. “E esse era o caso de uma pessoa que oferecia, abertamente, até mesmo eletrochoque no centro de Madri, em um apartamento onde oferecia ‘terapias de conversão’”, lembra Castro. “Então, por um lado, não sei se por desconhecimento ou por causa da própria homofobia estrutural e institucional que também existe nos órgãos do sistema judiciário, vimos muita passividade e relutância na hora de investigar”. Vitória celebrada, mas a luta continua Apesar de reconhecer a importância da criação do novo artigo e de comemorar a aprovação da medida, Saúl Castro afirma que a mudança ficou aquém do que a associação almejava. A proposta defendida pela entidade previa também apoio psicológico, ajuda econômica e moradia para pessoas que precisassem denunciar familiares ou responsáveis por submetê-las a essas práticas. Segundo ele,...
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