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By: RFI Brasil
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Reportagens de nossos correspondentes em várias partes do mundo sobre fatos políticos, sociais, econômicos, científicos ou culturais, ligados à realidade local ou às relações dos países com o Brasil.

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  • Brasileiro Rodrigo Torres realiza sua primeira exposição individual na Itália
    Jun 27 2026
    A galeria italiana Rhinoceros recebe em Roma a primeira exposição individual do artista brasileiro Rodrigo Torres na Itália. Intitulada "Água Mole em Pedra Dura", a mostra é fruto de uma parceria com a galeria brasileira A Gentil Carioca e permanece em cartaz até 13 de agosto. Gina Marques, correspondente da RFI em Roma A RFI encontrou o artista em Roma, na pré-estreia da exposição. “Eu apresento um conjunto de esculturas em cerâmica com essa técnica trompe-l'oeil de imitação de papelão, de papel rasgado, de pedra. Tudo que você vê aqui não é o que parece, e eu trago também muitas referências de Roma”, conta Rodrigo Torres. Inspirado nos monumentos da Cidade Eterna e na natureza do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde nasceu e cresceu, o artista apresenta um novo ciclo de obras. Entre as peças, estão esculturas em cerâmica, além de uma série de desenhos e pinturas em papel, nunca antes exibidos publicamente. “Todas as obras são em cerâmica, em pintura, mas quando você olha parece que é um papelão ou um papel. Algumas peças parecem pedras, porque a cor se assemelha a cor da pedra, assim como a pintura sobre papel dá a impressão de estar rasgado, mas não está, que é uma colagem, mas não é”, diz Márcio Botner, um dos fundadores e sócio da galeria A Gentil Carioca. Convergências com a natureza Na Floresta da Tijuca, árvores centenárias tombam e encostas cedem sob a ação do vento e da água. Em Roma, Rodrigo Torres encontrou a situação inversa: rachaduras são reparadas, superfícies estabilizadas e estruturas reforçadas para adiar o colapso. Dessa observação surgiu uma série de esculturas com efeito de colagem, evocando a possibilidade iminente de uma ruptura. Da presença constante da água nas inúmeras fontanas de Roma nasce a obra Por um Fio de Água, uma fonte apoiada sobre pedras. A fonte em cerâmica criada pelo artista brasileiro dá a impressão que é feita de tubos de papelão pintados amarrados por barbantes. “Eu já trabalho há algum tempo fazendo fontes de água. Aqui, eu pensei nela como agente de erosão e como isso se combina com os materiais e toda a cultura de Roma”, esclarece Rodrigo Torres. A Cidade Eterna é fonte de inspiração e de descoberta de novos materiais, destaca Márcio Botner. “Em Roma, Rodrigo descobre ainda mais elementos, a força da questão histórica com a conexão da natureza. Aqui ele descobre um barro para fazer a cerâmica que é diferente do Brasil, que tem uma cor muito similar ao tufo, que é essa pedra vulcânica.” Projeto O projeto das galerias é expor a criação de artistas estrangeiros depois de residirem em Roma por um breve período. Em 2023 a Rhinoceros teve a ideia de colaborar com outras galerias internacionais que não têm uma sede em Roma. A colaboração com A Gentil Carioca começou em março deste ano, inaugurando a mostra “O Tempo Mora em Mim” de Miguel Afa, o primeiro artista brasileiro a expor individualmente nesta galeria romana. “Esse projeto com a Rhinoceros nasce do convite para realizar uma parceria. A ideia foi trazer dois artistas. O primeiro (Miguel Afa) residiu aqui na capital italiana por quase três meses, realizando suas obras em Roma”, conta o fundador da A Gentil Carioca. “Essa experiência do artista de poder se aprofundar na cidade de Roma traz trabalhos inéditos. Roma é uma cidade que a cada esquina você descobre um pouco, uma nova página da história, e isso os artistas trouxeram intensamente dentro de cada obra”, salienta Botner. A Rhinoceros Gallery “O artista vive em Roma e imprime sua própria alma, o próprio espírito, seu olhar sobre a beleza de Roma, e de alguma forma isso transparece nas obras em exposição. Portanto, é uma ponte de comunicação.” afirma Alessia Caruso Fendi, fundadora da galeria Rhinoceros, à RFI. Para ela, o projeto com o Brasil representa o dinamismo do espaço artístico. "É um momento importante para nós também.” A galeria já apresentou exposições de grande impacto, incluindo uma da Galeria François Ghebaly, seguida por uma exposição individual do designer francês Ronan Bouroullec e a exposição coletiva Profili e Gesti, com obras de outros designers importantes, ambas com curadoria da Galerie kreo. Mais recentemente, também acolheu a galeria parisiense Nathalie Obadia e a trilogia de exposições da Galeria Bigaignon. As galerias convidadas podem trazer a sua própria identidade e curadoria para o espaço ou desenvolver projetos concebidos para Roma, por vezes produzindo obras diretamente na cidade. Experiência em Roma Depois de morar quase três meses na Cidade Eterna, Rodrigo Torres descreve esta experiência nas suas criações: “Em Roma eu andei por aí, fiz vários desenhos, busquei referências em materiais como os mármores”, indica. “Esta é uma edição realmente especial para Roma, onde você vê aqui obras que provavelmente eu não vou produzir novamente, ...
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  • Copa do Mundo impulsiona estreia da LiveModeTV em Portugal com Cristiano Ronaldo como sócio
    Jun 21 2026
    A Copa do Mundo de 2026 está servindo de palco para a primeira expansão internacional da LiveModeTV. A empresa brasileira criada por executivos responsáveis pelo antigo Esporte Interativo e pelo sucesso da CazéTV no Brasil escolheu Portugal para lançar sua operação fora do país e, poucos dias após o início do Mundial, já acumula números históricos. O projeto ganhou ainda mais dimensão com a entrada de Cristiano Ronaldo como investidor e sócio estratégico. Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Lisboa Nos primeiros dias da competição, a LiveModeTV alcançou mais de 1,26 milhão de dispositivos únicos nas transmissões realizadas pelo YouTube, o equivalente a cerca de 30,5% dos lares portugueses. A partida entre Brasil e Marrocos tornou-se, segundo dados da plataforma Playboard, a maior transmissão ao vivo da história do YouTube em Portugal, com mais de 302 mil dispositivos conectados em simultâneo. A emissão também entrou para o Top 10 das maiores lives do mundo naquele dia. Segundo dados da própria empresa, 71,4% da audiência está concentrada na faixa entre 18 e 44 anos, justamente o público que a LiveModeTV pretende aproximar do esporte por meio das plataformas digitais. Por trás do projeto estão executivos que acompanham a transformação do consumo esportivo há mais de uma década. Para Fábio Medeiros, Diretor de Conteúdos da LiveMode TV, a história começou ainda nos tempos do Esporte Interativo, quando o grupo iniciou as primeiras experiências com transmissões digitais. “Naquela época, as pessoas estranhavam. Depois, passaram a esperar. Foi ali que começamos a perceber que existia uma mudança de comportamento”, afirma. Segundo Medeiros, a empresa nunca teve a pretensão de alterar os hábitos do público. “A gente nunca nem se sentiu capaz de mudar o comportamento de ninguém. A gente entendeu que ele já estava mudando e que existia uma demanda por esse tipo de conteúdo no lugar onde as pessoas já estavam. O jovem já estava no YouTube. Então, se você leva o conteúdo para onde ele já está, você aumenta muito as possibilidades de sucesso.” Mais do que uma empresa de transmissões esportivas, a LiveModeTV foi construída em torno da ideia de comunidade. “A sensação de comunidade é diferente de simplesmente assistir. A pessoa sente que faz parte do projeto”, explica. Essa participação influencia diretamente o conteúdo das transmissões. “O chat muda o nosso roteiro. É como uma conversa entre amigos. Você pode até ter alguns assuntos preparados, mas alguém traz um tema novo e a conversa segue outro caminho.” Essa relação com a audiência vem desde os tempos do Esporte Interativo e foi sendo aperfeiçoada ao longo dos anos, destaca Medeiros. “A sensação de ser parte do projeto é diferente de apenas assistir a um projeto. Quando a pessoa sente que aquilo está sendo valorizado, ela tem mais prazer em participar.” Outro elemento central da estratégia é a escolha dos criadores de conteúdo. “O direito por si só gera uma conexão superficial. Você precisa das pessoas aqui no meio, que se conectam com o fã do outro lado.” A expansão para Portugal, segundo o executivo, exigiu a construção de uma equipe local. “Não adianta trazer um influenciador do Brasil com milhões de seguidores. A gente precisava de pessoas que já tivessem essa linguagem orgânica com o público português.” Por isso, a LiveModeTV apostou em criadores portugueses vindos do universo digital, além de narradores com forte ligação com o esporte. “A gente precisava de uma equipe que tivesse conhecimento, informação, mas também linguagem. Porque, senão, você perde a conexão com quem está do outro lado.” Portugal como primeiro capítulo da expansão internacional Depois do sucesso da CazéTV no Brasil, a internacionalização tornou-se um passo natural. “Portugal não é um teste. É o primeiro capítulo de um projeto internacional”, resume Medeiros. Nascido nos Açores e criado em Portugal até os 10 anos, antes de se mudar com a família para o Brasil, o executivo sempre manteve uma forte ligação com o país e admite que a chegada da LiveMode ao mercado português também representa a realização de um projeto pessoal. Para João Mesquita, diretor geral da LiveModeTV, as razões que explicaram o sucesso do modelo brasileiro não estavam restritas ao Brasil. “À medida que fomos desenvolvendo e entendendo as razões do sucesso do projeto no Brasil, percebemos que elas não eram exclusivas daquele mercado. O crescimento do consumo de vídeo no ambiente digital, a influência dos criadores de conteúdo, a importância das comunidades e da participação são tendências globais.” Segundo Mesquita, o desafio nunca foi reproduzir a experiência brasileira. “Não tentamos copiar o que foi feito no Brasil. Procuramos adaptar a mesma filosofia ao contexto português e ao comportamento da juventude em Portugal.” ...
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  • Luso-brasileiros estão entre os vencedores do 'Concurso Sardinhas' de Lisboa
    Jun 6 2026
    Os artistas conquistaram o júri da competição que reuniu trabalhos de 66 países, como Brasil, Moçambique, Dinamarca, Canadá, Chile e Austrália Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa A sardinha está para os Santos Populares em Portugal assim como o milho para as festas juninas no Brasil. E, neste ano, há dois talentos luso-brasileiros ajudando a dar cara nova ao peixe: o carioca Eduardo Ferrão e Letícia Amaral de Araújo, natural de Belo Horizonte. Eles são dois dos cinco vencedores da 16ª edição do “Concurso Sardinhas” de Lisboa, que neste ano recebeu 3.128 desenhos, enviados por 1.762 autores de 66 países. O resultado surpreendeu Letícia e Eduardo. “Quando chegou o e-mail [com o resultado], eu até tive que conferir algumas vezes. Eu não sabia se era golpe ou coisa do tipo, né? Para ver se era sério mesmo. E eu fiquei super satisfeito, porque é um concurso que acho muito bonito”, conta o designer gráfico. A notícia, que chegou por meio de uma ligação telefônica, foi recebida por Letícia com surpresa e felicidade. Ela também explica que, por retratar na sardinha uma cena tipicamente portuguesa, havia o receio de cometer algum equívoco. No entanto, a aprovação do júri português afastou qualquer dúvida. “Achei que [o resultado] validou a minha ideia”, afirma a designer. O concurso foi criado em 2011 pela EGEAC, empresa pública que promove ações culturais em Lisboa. O objetivo dos organizadores é estimular a participação e a criação artística, desafiando amadores e profissionais das artes a criar novas roupagens para a sardinha. As propostas vencedoras são utilizadas como imagem da campanha visual das tradicionais festas dos santos populares, equivalentes às festas juninas no Brasil. 'Bolo de arroz' Para participar da competição, Eduardo Ferrão se inspirou no projeto “O Último Bolo de Arroz de Lisboa”, lançado por uma associação de moradores que busca proteger, valorizar e dar visibilidade a cafés e pastelarias que fazem parte da história dos bairros. Chamou a atenção do designer gráfico a notícia de que muitos desses estabelecimentos tradicionais estão fechando as portas devido ao aumento do preço dos aluguéis e das matérias-primas, além de estarem sendo substituídos por comércios voltados a turistas e moradores estrangeiros com alto poder aquisitivo. Quando leu sobre o assunto, ele não teve dúvidas. “Foi como uma revelação, sabe? E aí a ideia estava ali”, relembra. A “Bolo de Arroz”, assinada pelo luso-brasileiro, molda o famoso doce português no formato de sardinha. A ilustração destaca a textura fofa da massa, a icônica crosta de açúcar no topo e a base envolta na clássica cinta de papel vegetal. “Fico realmente esperando que [a minha ilustração] abra o apetite das pessoas, sabe? Assim que passarem por uma pastelaria, peçam um bolo de arroz”, pede o carioca, que espera que sua criação também possa ajudar a manter o bolo de arroz e sua receita tradicional nas pastelarias portuguesas. “O Telefone das Coscusvilheiras” Na sardinha, a que deu o nome de "O Telefone das Coscuvilheiras”, Letícia Amaral de Araújo recorreu ao bom humor ao fazer uma leitura de uma cena cotidiana: a coscuvilhice de quem fica à janela ou na sacada dos apartamentos a fofocar e até a monitorar a vida alheia. “Este exagero visual não busca realismo, mas sim evidenciar um comportamento social reconhecível: o prazer na conversa e na construção coletiva de histórias”, destaca a EGEAC na descrição oficial do projeto. A ilustração da mineira destaca duas varandas tradicionais com uma senhora em cada lado a estender roupa na espinha dorsal da sardinha, que ganha nova vida como um varal e um "telefone de lata” ao mesmo tempo. Uma cena que resgata os conhecidos telefones de copinho ou de barbante das brincadeiras infantis. “E essas duas senhoras estão a se comunicar por meio de um telefone de lata, que eu fiz essa analogia com o varal”, explica Letícia. Sardinhas de Lisboa Além das sardinhas “Bolo de Arroz” e “O Telefone das Coscuvilheiras”, também conquistaram o júri da competição as ilustrações portuguesas “Sardinha Guitarrista” e “Patrimônio Fragmentado” e a “Tomatazo”, do Uruguai. O autor de cada uma delas ganhou um prêmio em dinheiro no valor de 1.500 euros (quase R$ 9 mil na cotação atual). A maior recompensa para os vencedores, contudo, é ter as sardinhas exibidas nos ônibus e no metrô da capital, nos painéis publicitários e nas decorações dos arraiais. Eduardo Ferrão, que vive na cidade do Rio de Janeiro, pensa até em ir a Lisboa para não perder a festa. “Eu ainda estou considerando isso, se pego semana que vem um voo. Enfim, vamos ver. É um evento muito relevante para a cidade, e eu gostaria muito de fazer parte desse momento”, confessa. Letícia, que mora há seis anos em Lisboa, já teve a chance de ver o resultado de seu trabalho e ...
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